A ordem que tinha sido dada ao Sr. Home pelas autoridades pontifícias, de deixar Roma em três dias, tinha sido revogada, como vimos em nosso último número. Mas não se reprime o medo e mudaram de idéia; a licença de permanência foi retirada definitivamente, obrigando o Sr. Home, sob a acusação de feitiçaria, a partir imediatamente. É bom dizer que as batidas e o levantamento da mesa durante o interrogatório, que tínhamos relatado em forma dubitativa, pois não tínhamos certeza, são exatos. Isto devia ser um motivo a mais para pensar que o Sr. Home trazia consigo o diabo a Roma, onde jamais havia penetrado, ao que parece. Ei-lo, pois, bem e devidamente convicto, pelo governo romano, de ser um feiticeiro; não um feiticeiro para rir, mas um verdadeiro feiticeiro, pois, do contrário, não teriam levado a coisa a sério. Tivemos sob os olhos o longo interrogatório a que o submeteram, e a leitura, pela forma das perguntas, levou-nos involuntariamente aos tempos de Joana d’Arc; só faltava o desfecho comum da época para essas espécies de acusação. Os jornais brincalhões admiram-se de que no século dezenove ainda acreditem em feiticeiros. É que há pessoas que dormem o sono de Epimênides há quatro séculos. Aliás, como não acreditaria o povo, quando sua existência é atestada pela autoridade que a deve conhecer melhor, já que mandou queimar tanta gente? É preciso ser céptico como um jornalista para não se render a uma prova tão evidente. O que é mais surpreendente é que se façam reviver os feiticeiros nos espíritas, logo eles que vêm provar, com as peças nas mãos, que não há feiticeiros nem maravilhoso, mas apenas leis naturais.