De outra vez, um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa, segundo relato de um de nossos videntes, pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. Uma para cada um de nós. Acontece, porém, que, empenhado em trabalhos redentores, o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos, também antigos magos, profundos conhecedores desses trabalhos, sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos, agarrados ainda ao lado escuro da vida, tentando dominar pelo terror. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem, melhor do que ele, conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos, o mago foi completamente desarmado em suas táticas, tão cuidadosamente planejadas. Nosso médium viu apenas que, em torno dele, colocaram sete lâmpadas, ou lanternas, de cores diferentes.
Um caso marcou época, pela sua extraordinária sofisticação. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético, através do qual mantinha, subjugadas aos seus propósitos, as mentes de quatro seres encarnados.
Em suma, a magia é mais comum do que desejaríamos admitir, e oferece riscos realmente sérios, contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. É claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa, da falta, do erro, que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas.
Os magos desencarnados são, as mais das vezes, inteligentes, experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezas humanas, pois vivem disso, nas suas práticas funestas. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo, não temem represálias, são pouco acessíveis à doutrinação, ao apelo do amor e do perdão. Sabem, como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores, que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. Atacam para não serem atacados, oprimem para não serem oprimidos, espalham a dor para fugirem às suas próprias. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”, ou seja, aceitarem a realidade maior, que muito bem conhecem, chegará o duro
momento da verdade e começará a longa escalada de volta. E quem desceu semeando sofrimentos, só pode contar com sofrimentos durante a subida. Não há outro caminho. Por isso são implacáveis e, por -isso, demoram-se no erro que, paradoxalmente, os compromete cada vez mais. Estão perfeitamente conscientes, no entanto, de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos, pois o mal não é eterno.
Enquanto isso, utilizam-se da vontade bem treinada, para movimentar, em seu proveito, as forças da Natureza.