Não podemos entender serviço mediúnico sem noção de responsabilidade individual.
É inconcebível se promova o intercâmbio com a Espiritualidade sem que haja, da parte de cada um e de todos, em conjunto, aquela nota de respeito e veneração que nos faz servir, "espiritualmente ajoelhados", às tarefas mediúnicas.
Os Amigos Espirituais consagram tanto respeito ao setor mediúnico que o Assistente Áulus, ao se dirigir para a sala das reuniões, teve as seguintes palavras que, de maneira expressiva e singular, traduzem a maneira como encaram o serviço:
"Vemos aqui o salão consagrado aos ensinamentos públicos. Todavia, o núcleo que buscamos (sala das sessões mediúnicas) jaz em reduto íntimo, assim como o coração dentro do corpo."
E, referindo-se à preparação dos encarnados, antes do início dos trabalhos, reporta-se a quinze minutos de prece, "quando não sejam de palestra ou leitura com elevadas bases morais".
Não se justifica, realmente, que, antes das reuniões, demorem-se os encarnados em conversações inteiramente estranhas às suas finalidades.
Não se justificam a conversação inadequada e o ambiente impregnado de fumo, numa ostensiva desatenção a respeitáveis entidades e num desapreço aos irmãos sofredores trazidos aos Centros a fim de que, em ambiente purificado, sejam superiormente atendidos.
Há grupos em que os encarnados se comprazem, inclusive, em palestras desaconselháveis que estimulam paixões, tais como, política, negócios e alusões a companheiros ausentes, numa prova indiscutível de que não colaboram para que os recintos reservados às tarefas espirituais adquiram a feição de templos iluminativos.
Salientando o sentimento de responsabilidade dos dez companheiros do grupo visitado, Áulus esclarece:
"Sabem que não devem abordar o mundo espiritual sem a atitude nobre e digna que nos outorgará a possibilidade de atrair companhias edificantes, e, por esse motivo, não comparecem aqui sem trazer ao campo que lhes é invisível as sementes do melhor que possuem."
É oportuno ressaltar que os componentes do grupo, embora criaturas humanas e sujeitas às mesmas lutas com que se defrontam todas as almas em processo de regeneração, através do trabalho e do estudo, comparecem ao Centro e nele se conduzem como se estivessem num santuário celeste.
Não são almas santificadas.
São criaturas de boa vontade que transitam normalmente pelo mundo, cada uma ocupada com as obrigações que a vida lhe impõe: trabalham, comem, vestem-se e distraem-se na recreação edificante.
Todavia, a sinceridade de propósito e a fé, o devotamento e a veneração ao serviço asseguram o êxito das tarefas e garantem-lhes magnífica assistência espiritual.
Vejamos como André Luiz, usando o psicoscópio, observa os irmãos profundamente concentrados na prece:
"Detive-me na contemplação dos companheiros encarnados que agora pareciam mais estreitamente associados entre si, pelos vastos círculos radiantes que lhes nimbavam as cabeças de opalino esplendor.
Tive a impressão de fixar, em torno do apagado bloco de massa semiescura a que se reduzira a mesa, uma coroa de luz solar, formada por dez pontos característicos, salientando-se no centro de cada um deles o semblante espiritual dos amigos em oração."
O quadro observado por André Luiz é deveras tocante.
Com a atenção presa "ao círculo dos rostos fulgurantes, visivelmente unidos entre si, à maneira de dez pequeninos sóis, imanados uns aos outros", verifica André Luiz que, sobre cada um dos encarnados em prece, "se ostentava uma auréola de raios quase verticais, fulgentes e móveis, quais se fossem diminutas antenas de ouro fumegante".
Qualquer grupo mediúnico que funcionar na base da harmonia, do entendimento e da sinceridade obterá, sem dúvida, essa mesma defesa maravilhosamente observada e descrita por André Luiz.
Tendo Jesus-Cristo afirmado que estaria sempre "onde duas ou três pessoas se reunissem em seu nome", estamos convictos de que, onde o trabalho se realizar sob a inspiração do seu Amor, num palacete ou num casebre, a Sua Divina Presença se fará por meio de iluminados mensageiros.
Como e por que duvidarmos disso, se temos certeza de que a misericórdia do Senhor não se circunscreve a grupos ou pessoas, mas se estende, abundantemente, a todos quantos, na execução de tarefas em seu Nome Augusto, servem, incondicionalmente, ao Bem!
Quanto nos seja possível, por amor à Causa, falemos e escrevamos sempre concitando, moderada e fraternalmente, à nossa querida família espírita a dignificar o serviço mediúnico, oferecendo-lhe, agora e sempre, o melhor de nosso coração, de nossa alma, de nossa inteligência.
Fora disso, haverá sempre escolhos e incertezas...