Capítulo 33
O capítulo "Mediunidade e oração" sugeriu-nos um estudo em torno da prece, considerando o imperativo da comunhão com o plano espiritual superior, em nossas tarefas mediúnicas. A prece, em qualquer circunstância, afigura-se-nos um apelo de nossa alma estabelecendo instantânea ligação com o Mundo Espiritual, segundo os princípios de afinidade que regem o intercâmbio mental. Sendo a prece "um apelo", evidentemente somos levados a, de acordo com as instruções dos Benfeitores Espirituais, classificá-la de vários modos. Em primeiro lugar, teremos a "prece vertical", isto é, aquela que, expressando aspirações realmente elevadas, se projeta na direção do Mais Alto, sendo, em face dos mencionados princípios de afinidade, recolhida pelos Missionários das Esferas Superiores. Em segundo lugar, teremos a "prece horizontal", traduzindo anseios vulgares. Essa prece não terá impulso oblíquo ou vertical, porque encontrará ressonância entre aqueles Espíritos ainda ligados aos problemas terrestres, vivendo, portanto, horizontalmente. Por fim, teremos a descendente. A essa não daremos a denominação de "prece", substituindo-a por "invocação", consoante aconselha o Ministro Clarêncio ("Entre a Terra e o Céu" — André Luiz). Na "invocação", o apelo receberá a resposta de entidades de baixo tom vibratório. São os petitórios inadequados, expressando desespero, rancor, propósitos de vingança, ambições, etc. Os bilhões de Espíritos desencarnados que constituem a população invisível, ocupam variados degraus da escada ascensional, superlotando-os. Cada degrau simboliza uma faixa vibratória, submetida às mesmas leis universais que presidem, aqui e em toda a parte, ao intercâmbio entre Inteligências encarnadas e desencarnadas. Vivemos e respiramos dentro dessas faixas. Os nossos sentimentos indicam o degrau que ocupamos. Assim sendo, nossas preces encontrarão sempre a resposta dos nossos afins, dos que comungam conosco tais ou quais idéias, tais ou quais objetivos. Na prece vertical, quando pedimos a Deus que, acima dos nossos desejos, prevaleça a sua Augusta Vontade, sintonizaremos com os Elevados Mensageiros do Seu Amor, com as entidades que se sublimaram pelo cultivo da fraternidade legítima. Na prece horizontal, receberemos a palavra e a colaboração dos Amigos que ainda se ocupam, como nós, de problemas de relativa importância, embora respeitáveis. Na "invocação" — apelo descendente —, virão a nós, ajudar a materialização dos nossos propósitos mal-sãos, entidades infelizes que permanecem em verdadeiras furnas, nas regiões trevosas. Em nossos núcleos mediúnicos, de acordo com os objetivos inspiradores de nossas tarefas, seremos atendidos por tais ou quais Espíritos. Se o pensamento cristão for a bússola de nossas realizações, não faltarão abnegados instrutores que, dos planos elevados, conduzirão o nosso esforço e estimularão o nosso idealismo. E o pensamento cristão é aquele que o Divino Amigo exemplificou no poético cenário da Palestina: amor ao próximo, oração pelos caluniadores, perdão das ofensas, amparo aos doentes e ignorantes... Toda vez que orientarmos as nossas tarefas segundo o pensamento do Mestre, estaremos proferindo a prece vertical, que, à maneira de sublime foguete, penetrará verticalmente os espaços, trazendo, na volta, a mensagem do Cristo, numa confirmação da eternidade de suas palavras: "Pedi, e obtereis; batei, e abrir-se-vos-á; buscai, e achareis."
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Nome do Capítulo Definindo a prece