Mui venerada imperatriz, De novo uma cartinha chegada do mundo invisível.
No futuro, se Deus o permitir, as comunicações seguir-se-ão mais de perto.
Esta carta contém uma parte muito pequena do que pode ser dito a um mortal, sobre a aparição e a visão do Senhor. É simultaneamente e sob milhões de formas diferentes, que o Senhor aparece às miríades de seres. Ele quer e se multiplica ele próprio por suas inúmeras criaturas, individualizando-se, ao mesmo tempo, para cada uma delas em particular.
A vós, imperatriz, ao vosso Espírito de luz, ele aparecerá um dia, como apareceu a Maria Madalena, no jardim do sepulcro. De sua boca divina o ouvireis um dia, quando sentirdes a maior necessidade e quando menos o esperardes, vos chamar por vosso nome Maria. Rabi! respondereis ao seu chamado, penetrada do mesmo sentimento de felicidade suprema que tomou conta de Madalena, e, cheia de adoração, como o apóstolo Tomé, direis: “Meu Senhor e meu Deus!” 12 Tivemos pressa em atravessar as noites de trevas para chegar à luz; passamos pelos desertos para alcançar a terra prometida; sofremos as dores do nascimento para renascer para a verdadeira vida.
Que Deus e o vosso Espírito estejam convosco e vosso Espírito.
João Gaspar Lavater Zurique, 13 de novembro de 1798