Capítulo 6
A Nova Revelação, dando noções mais sensatas da vida futura e provando que cada um de nós pode alcançar a salvação pelas próprias obras, deve encontrar grande oposição, tanto mais viva por estancar uma das mais rendosas fontes de receita. Assim tem ocorrido, sempre que uma nova descoberta ou invento abala costumes inveterados e preestabelecidos. Quem vive de velhos e custosos processos nunca deixa de lhes enaltecer a superioridade e excelência e de desacreditar os novos, mais econômicos. Acreditar-se-ia, por exemplo, que a imprensa, apesar dos benefícios prestados à humanidade, tenha sido aclamada pela numerosa classe dos copistas? Não; por certo eles a detestavam. Deu-se a mesma coisa com o invento de máquinas, com as estradas de ferro e com centenas de outras coisas. Aos olhos dos incrédulos, o dogma das penas eternas é uma questão fútil da qual se riem; para o filósofo, esse dogma tem uma gravidade social pelos abusos que provoca. O homem verdadeiramente religioso tem interesse em destruir tais abusos e, consequentemente, suas causas, em benefício da própria dignidade da religião.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo Doutrina das penas eternas
Tema A doutrina das penas eternas fez sua época
Item 24