Não se pode pôr em dúvida a existência de seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos. Neste ponto, a revelação espírita confirma a crença de todos os povos, fazendo-nos conhecer, ao mesmo tempo, a origem e a natureza de tais seres.
As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimento nem consciência do bem e do mal, porém aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim, que é a perfeição, é o mesmo para todos. Alcançam-no mais ou menos rapidamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a transpor, o mesmo trabalho a concluir. Deus não contempla melhor uns que outros, já que todos são seus filhos e porque, sendo justo, não tem preferência por criatura alguma. Ele lhes diz: “Eis a lei que deve constituir a vossa regra de conduta; só ela pode vos levar ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.” Conseguintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem; foi o próprio homem que criou esse mal ao transgredir as leis divinas, porquanto, se as observasse escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho.