Sem saber o que fazer do vestido e não desejando dá-lo a ninguém para evitar que outros viessem a sofrer aquelas angústias, talvez sem o mesmo tipo de defesa de que ela dispunha, Regina conversou a respeito do estranho caso com uma amiga mais experimentada. Ela sugeriu que o vestido fosse encaminhado ao centro no qual servia, para que fosse levado a uma reunião mediúnica, onde orariam pela desconhecida pessoa a quem a roupa pertencera. A sugestão não trazia uma boa carga de convicção, mas não lhes ocorreu outra providência a tomar.
Nunca soube Regina do que poderia ter acontecido com a moça do vestido, mas certamente a intenção foi a melhor possível de ajudá-la a superar a sua decepção em face da morte que, para muitos, é mal irremediável, quando é apenas uma transição, muitas vezes para melhor.
Daí em diante, Regina passou a ser mais cautelosa; nunca mais vestir a roupa alheia e nem gosta de emprestar as suas. Se alguém lhe pede uma peça emprestada, ela prefere dá-la de uma vez. Nunca se sabe das vibrações e se entranham nas peças e dos 'contágios' psíquicos que possam trazer a quem as usa depois.
14. DETETIVES PSÍQUICOS
Isso faz lembrar alguns dos famosos "detetives psíquicos", dos quais cuida Colin Wilson no seu já citado livro e do que também nos dá conhecimento Jack Harrison Pollack em seu magnífico Croiset, The Clairvoyant.
Eles costumam pedir um objeto que a pessoa desaparecida tenha usado especialmente uma peça de roupa - as íntimas são melhores. A partir do momento em que 'entram na faixa' de sintonia, seguem inapelavelmente a trilha psíquica até encontrarem a pessoa procurada, viva ou morta.
Às vezes, como temos observado repetidamente, o tempo interfere com os seus enigmas. Vejamos mais um destes casos, para o qual nem foi preciso tomar nas mãos nenhum objeto sintonizador. Bastou um telefonema.
Um menino de sete anos desapareceu em 21 de fevereiro de 1951, na Holanda. Três dias mais tarde, após buscas infrutíferas da polícia, a professora do menino telefonou para Croiset. Ele começou a ter suas visões, na hora.
Vejam só o que ele informa: Vejo um quadro bem nítido da criança. Vejo barracas militares e um campo de tiro. O terreno é gramado e há uma pequena elevação. Vejo também água. Foi nessa água que a criança caiu e morreu afogada. Ela ainda está lá. Seu corpo será encontrado por um homem num pequeno barco. Esse homem usa uma fita colorida em torno do boné.
Quem vem de Enschede (lugar onde a criança vivia) para Utrecht, tem esse local à sua esquerda da estrada. (Pollack, Jack. 1965).
Donde se depreende que Croiset viu todo o cenário da tragédia e mais o passado (o menino caindo na água e afogando-se), o presente ("Ele ainda está lá") e o futuro (Será encontrado por um homem com uma fita colorida no boné).
Vamos parar por aqui mesmo, antes que a gente também saia por aí, além dos limites de tempo e espaço.
Seja como for, em todo o processo de psicometria há uma sintonização prévia. No caso de Regina, o vestido; com Edith Hawthorne e outros, algum objeto de uso pessoal ou até mesmo o contato telefônico de uma pessoa interessada na solução dos mistérios dos desaparecidos, como vimos com Gerard Croiset. A partir da sintonização, contudo, o processo tem certas constantes que costumam ocorrer com todos os psicômetras que, em última análise, operam utilizando-se da faculdade que os ingleses chamam de 'travelling clairvoyance' ou seja, clarividência itinerante, com a diferença de que viajam não apenas pelo espaço físico, mas também no tempo.
Ao analisar o fenômeno, Frederick Myers escreve isto: ... a clarividência perde, freqüentemente, o rumo e descreve casa e cenas adjacentes às desejadas. De repente, como se literalmente recuperasse, pelo faro, a trilha - como se encontrasse um lugar onde tenha estado a pessoa de quem ela está à procura - ela segue a pista com maior facilidade, descobrindo aparentemente tanto eventos passados de sua vida, como circunstâncias presentes. O processo, lembra, com freqüência, o cão que, se abandonado longe de casa, acaba encontrando o caminho de volta, a princípio hesitantemente, usando não sabemos que instinto. De repente, uma vez encontrada a trilha pelo faro, segue-a facilmente a despeito de confusões e obstáculos. (Myers. Frederick. 1920).
Na dramática psicometria da pena de pombo feita pela sra. Hawthorne, disse ela, a certa altura, que há uma trilha (magnética? telepática?) que, uma vez identificada na multidão de vibrações que povoam o espaço, leva o pombo direto ao seu pombal, a muitos quilômetros de distância.
O que nos fascina no mistério e nos leva a investigá-la até decidir os seus enigmas é exatamente o fato de ser misterioso. São os estimulantes que nos excitam a inteligência e os poderosos magnetos que nos arrastam na direção do conhecimento. A vida seria uma insuportável pasmaceira, não fossem seus enigmas e mistérios.