Deixemos de lado, por alguns instantes, os fatos que, a nosso ver, tornam incontestável a sua realidade; admitamos a comunicação apenas como hipótese. Pedimos aos incrédulos que nos provem, não por simples negativas, visto que suas opiniões pessoais não podem constituir lei, mas por meio de razões categóricas, que tal coisa não é possível. Colocando-nos sobre o terreno em que eles se colocam, uma vez que desejam apreciar os fatos espíritas com o auxílio das leis da matéria, que tirem desse arsenal qualquer demonstração matemática, física, química, mecânica, fisiológica, e provem, por a mais b, partindo sempre do princípio da existência e da sobrevivência da alma:
1ᵒ que o ser pensante, que existe em nós durante a vida, não deve mais pensar depois da morte;
2ᵒ que, se continua a pensar, não deve mais pensar nos que amou;
3ᵒ que, se pensa nos que amou, não deve mais querer comunicar- se com eles;
4ᵒ que, se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;
5ᵒ que, se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;
6ᵒ que não pode, por meio de seu envoltório fluídico, atuar sobre a matéria inerte;
7ᵒ que, se pode atuar sobre a matéria inerte, não pode atuar sobre um ser animado;
8ᵒ que, se pode atuar sobre um ser animado, não pode dirigir sua mão para fazê-lo escrever;
9ᵒ que, podendo fazê-lo escrever, não lhe pode responder às perguntas, nem lhe transmitir seus pensamentos.
Quando os adversários do Espiritismo nos demonstrarem que isto é impossível, por meio de razões tão evidentes quanto as de que se serviu Galileu para provar que não era o Sol que gira em torno da Terra, então poderemos dizer que suas dúvidas têm fundamento. Infelizmente, até hoje, toda a argumentação deles se resume nestas palavras: Não creio, logo isto é impossível. Sem dúvida, retrucarão que cabe a nós provar a realidade das manifestações. Ora, nós lhes damos, pelos fatos e pelo raciocínio, a prova de que elas são reais. Se não admitem nem uma nem outra coisa, se negam até o que veem, compete a eles provar que o nosso raciocínio é falso e que os fatos são impossíveis.