Capítulo 2
Se a crença nos Espíritos e em suas manifestações fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, poderia, com certa razão, merecer a suspeita de ilusória. Que nos digam, então, por que a encontramos tão vivaz entre todos os povos, antigos e modernos, e nos livros santos de todas as religiões conhecidas? É, respondem alguns críticos, porque, desde todos os tempos, o homem teve amor ao maravilhoso. — Mas que entendeis por maravilhoso? — O que é sobrenatural. — Que entendeis por sobrenatural? — O que é contrário às Leis da Natureza. — Conheceis, porventura, tão bem essas leis, que possais marcar limite ao poder de Deus? Pois bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às Leis da Natureza; que não é, nem pode ser uma destas Leis. Acompanhai a Doutrina Espírita e vede se esse encadeamento não apresenta todas as características de uma lei admirável, que resolve tudo o que as filosofias até agora não puderam resolver. O pensamento é um dos atributos do Espírito. A possibilidade, que eles têm, de atuar sobre a matéria, de nos impressionar os sentidos e, por conseguinte, de nos transmitir seus pensamentos, resulta, se assim nos podemos exprimir, da sua própria constituição fisiológica. Logo, nada há de sobrenatural neste fato, nem de maravilhoso. Que um homem morto e bem morto volte a viver corporalmente, que seus membros dispersos se reúnam para lhe formarem de novo o corpo, isto sim, seria maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Haveria aí uma verdadeira derrogação da lei, o que somente por milagre Deus poderia praticar. Não existe, porém, coisa alguma de semelhante na Doutrina Espírita.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo O maravilhoso e o sobrenatural
Item 7