Capítulo 17
Se o médium deve fazer tudo para não cair sob a dependência dos Espíritos maus, mesmo que de forma involuntária, mais ainda deve fazê-lo para não cair voluntariamente. Um desejo incontrolável de escrever não deve levá-lo a dirigir-se ao primeiro Espírito que apareça, na crença de que isto seja indiferente, salvo para se desembaraçar dele mais tarde, caso não lhe convenha. Não se pede impunemente a assistência de um Espírito mau, seja para o que for, pois ele pode exigir pagamento muito caro pelos seus serviços. Algumas pessoas, impacientes com o desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas, que consideram muito demorado, tiveram a ideia de pedir o auxílio de um Espírito qualquer, pensando em despedi-lo logo em seguida. Muitos foram servidos como queriam e escreveram imediatamente. Mas o Espírito evocado, pouco se incomodando por ter sido chamado nessas condições, mostrou-se menos dócil na hora de sair do que na hora de chegar. Conhecemos algumas criaturas que foram punidas pela presunção de se julgarem bastante fortes para afastá-los quando quisessem, por anos de obsessão de toda espécie, pelas mais ridículas mistificações, por uma fascinação tenaz e até por desgraças materiais e pelas mais cruéis decepções. O Espírito se mostrou, no início, francamente mau, depois hipócrita, a fim de fazer crer na sua conversão ou no pretenso poder do seu subjugado para expulsá-lo quando bem entendesse.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Formação dos médiuns
Tema Desenvolvimento da mediunidade
Item 212