Dissemos que as aparições têm algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-las à imagem que se reflete num espelho sem aço, cuja nitidez não impede que se vejam os objetos que lhe estão por detrás. Geralmente, é assim que os médiuns videntes as percebem. Eles as veem ir e vir, entrar num aposento, sair dele e circular por entre a multidão, assumindo ares de quem participa de tudo o que os homens fazem à sua volta, interessando-se por tudo e ouvindo a conversa de todos; pelo menos, é desse modo que se comportam os Espíritos mais comuns. Com frequência são vistos a se aproximar de uma pessoa para soprar ideias ou exercer uma influência qualquer, consolando-a, se são Espíritos bons; zombando dela, se são Espíritos maus, e se mostrando tristes ou satisfeitos com os resultados obtidos. Em resumo: tais Espíritos constituem a cópia perfeita da sociedade do mundo material.
É esse o mundo oculto que nos envolve, dentro do qual vivemos sem perceber, como vivemos em meio das miríades de seres do mundo microscópico, sem desconfiar de coisa alguma. O microscópio nos revelou o mundo dos infinitamente pequenos, de cuja existência não suspeitávamos; o Espiritismo, com o auxílio dos médiuns videntes, nos revelou o mundo dos Espíritos, que, por sua vez, também constitui uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes, pudemos estudar o mundo invisível e conhecer os seus hábitos, assim como um povo de cegos pode estudar o mundo visível, auxiliado por alguns homens que gozem da faculdade de ver. (Veja-se adiante, no capítulo referente aos Médiuns, o item que trata dos Médiuns videntes.)