As aparições propriamente ditas ocorrem quando o vidente se acha em estado de vigília e no gozo de plena e inteira liberdade das suas faculdades. Apresentam-se, em geral, sob uma forma vaporosa e diáfana, às vezes vaga e imprecisa, inicialmente como uma claridade esbranquiçada, cujos contornos pouco a pouco se vão delineando. De outras vezes as formas se mostram claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços da fisionomia, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes ao que tinha o Espírito quando encarnado.
Podendo tomar todas as aparências, o Espírito se apresenta sob aquela que melhor nos faça reconhecê-lo, se tal é o seu desejo. Assim, embora como Espírito não tenha nenhum defeito corpóreo, ele se mostrará estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para provar a sua identidade. Esopo, por exemplo, como Espírito, não é disforme; porém, se o evocarmos como Esopo, por mais existências que tenha tido depois daquela, aparecerá feio e corcunda, com suas vestes tradicionais.
Uma particularidade notável das aparições é que, salvo em circunstâncias especiais, as partes menos acentuadas são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco, os braços e as mãos aparecem com nitidez. É por isso que quase nunca são vistos a andar, mas a deslizar como sombras. Quanto às roupas, compõem-se geralmente de um amontoado de gaze, terminando em longo pregueado flutuante. Completa a aparência uma cabeleira ondulante e graciosa. Pelo menos, é assim que se apresentam os Espíritos que nada conservam das coisas terrenas. Os Espíritos vulgares, porém, os das pessoas que aqui conhecemos, aparecem com os trajes que usavam no último período de sua existência.
Frequentemente, os Espíritos mostram atributos característicos da elevação que alcançaram. Os que são tidos por anjos apresentam auréola e asas, enquanto outros trazem os sinais indicativos de suas ocupações terrenas. Assim, um guerreiro poderá aparecer com a sua armadura, um sábio com livros, um assassino com um punhal etc. O semblante dos Espíritos superiores é belo, nobre e sereno; a aparência dos mais inferiores denota alguma coisa de feroz e bestial, trazendo ainda, algumas vezes, os vestígios dos crimes que praticaram, ou dos suplícios que padeceram. A questão do traje e dos objetos acessórios com que os Espíritos aparecem é talvez a que mais surpreende. Voltaremos a essa questão em capítulo especial, porque ela se liga a outros fatos muito importantes.