Capítulo 1
A forma do perispírito é a forma humana e, quando nos aparece, geralmente é com a que revestia o Espírito na condição de encarnado. De acordo com isso, seria de se esperar que o perispírito, uma vez separado de todas as partes do corpo, mantivesse o modelo deste corpo; entretanto, não parece que seja assim. Com pequenas diferenças quanto às particularidades, a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos, à exceção das modificações orgânicas exigidas pelo meio no qual o ser é chamado a viver, pelo menos é o que dizem os Espíritos. Essa é também a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só têm o perispírito; a forma com que, em todos os tempos, se representaram os anjos ou Espíritos puros. Devemos concluir de tudo isso que a forma humana é a forma típica de todos os seres humanos, seja qual for o grau de evolução a que pertençam. Mas a matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade nem a rigidez da matéria compacta do corpo; ela é, se assim nos podemos exprimir, flexível e expansível, de modo que a forma que toma, embora decalcada na do corpo, não é absoluta; modela-se à vontade do Espírito, que pode lhe dar a aparência que bem entender, ao passo que o envoltório sólido lhe oferece insuperável resistência. Livre desse obstáculo que o comprimia, o perispírito se dilata ou contrai, se transforma; numa palavra, presta-se a todas as metamorfoses, de acordo com a vontade que atua sobre ele. É graças a essa propriedade do seu envoltório fluídico que o Espírito pode fazer- se reconhecer, quando necessário, tomando a aparência exata que tinha quando vivo, até mesmo com os defeitos corpóreos que possam servir de sinais para o reconhecerem. Como se vê, os Espíritos são seres semelhantes a nós, constituindo, ao nosso redor, toda uma população invisível no estado normal. Dizemos no estado normal, porque, conforme veremos, essa invisibilidade não é absoluta.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Ação dos Espíritos sobre a matéria
Item 56