Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que mais tarde falaremos, levaram-nos à conclusão de que há no homem três componentes: 1ᵒ, a alma, ou Espírito, princípio inteligente no qual reside o senso moral; 2ᵒ, o corpo, envoltório material e grosseiro que reveste temporariamente a alma para o cumprimento de certos desígnios providenciais; 3ᵒ, o perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o corpo.
A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do envoltório grosseiro, daquele que a alma abandona. O outro se desliga do corpo e acompanha a alma que, assim, fica sempre com um envoltório. Este último, embora fluídico, etéreo, vaporoso, invisível para nós em seu estado normal, não deixa de ser matéria, embora até o presente não tenhamos podido apoderar-nos dele e submetê-lo à análise.
Esse segundo envoltório da alma, ou perispírito, existe, pois, durante a vida corpórea; é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, diremos que é o fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão do pensamento; é, em suma, esse agente misterioso, imperceptível, conhecido pelo nome de fluido nervoso, que desempenha tão grande papel na economia orgânica e que ainda não se leva muito em conta nos fenômenos fisiológicos e patológicos. Por considerar apenas o elemento material ponderável na apreciação dos fatos, a Medicina se priva de uma causa incessante de ação. Não cabe aqui, porém, o exame desta questão. Somente faremos notar que o conhecimento do perispírito é a chave de inúmeros problemas até hoje não explicados.
O perispírito não constitui uma dessas hipóteses de que a Ciência costuma valer-se para a explicação de um fato. Sua existência não foi revelada apenas pelos Espíritos, já que resulta de observações, como teremos ocasião de demonstrar. Por ora, e para não antecipar fatos que teremos de relatar, limitar-nos-emos a dizer que, seja durante a sua união com o corpo, seja depois de separar-se deste, a alma nunca está desligada do seu perispírito.