Uma vez que a possibilidade de escrever sem intermediário é um dos atributos do Espírito; que os Espíritos sempre existiram desde todos os tempos e em todos os tempos produziram os diversos fenômenos que conhecemos, por certo haverão de ter produzido também, na Antiguidade, o da escrita direta, como fazem até hoje. É desse modo que se pode explicar o aparecimento das três palavras no festim de Baltazar. A Idade Média, tão fecunda em prodígios ocultos, mas que eram abafados pelas fogueiras, também deve ter conhecido a escrita direta. Talvez encontremos, na teoria das modificações que os Espíritos podem operar na matéria —teoria que desenvolvemos no capítulo VIII — o fundamento da crença na transmutação dos metais.
Todavia, quaisquer que tenham sido os resultados obtidos em diversas épocas, foi somente depois da vulgarização das manifestações espíritas que se tomou a sério a questão da escrita direta. Ao que parece, o primeiro a torná-la conhecida, nestes últimos anos, em Paris, foi o barão de Guldenstubbe, que publicou uma obra muito interessante sobre o assunto, com grande número de fac-símiles [reproduções] das escritas que obteve.35 O fenômeno já era conhecido na América, havia algum tempo. A posição social do Sr. Guldenstubbe, sua independência, a consideração de que desfruta na alta sociedade afastam qualquer suspeita de fraude intencional, já que não poderia ser impelido por nenhum motivo interesseiro. Poder-se-ia admitir, no máximo, que fora vítima de uma ilusão; a isto, porém, se opõe um fato decisivo: o de haverem outras pessoas obtido o mesmo fenômeno, cercadas de todas as precauções necessárias para evitar qualquer embuste e qualquer causa de erro.