Capítulo 12
Obtém-se a escrita direta, como em geral a maior parte das manifestações espíritas não espontâneas, por meio do recolhimento, da prece e da evocação. Têm sido produzidas em igrejas, sobre os túmulos, no pedestal de estátuas e em retratos de pessoas evocadas. Evidentemente, o local não exerce a menor influência sobre o fenômeno, a não ser facultar maior recolhimento espiritual e maior concentração dos pensamentos, pois está provado que a escrita direta pode ser obtida igualmente sem esses acessórios e nos lugares mais comuns, sobre um simples móvel caseiro, desde que os interessados se achem nas devidas condições morais e que entre eles se encontre alguém que possua a necessária faculdade mediúnica. Julgou-se, inicialmente, que era preciso colocar aqui ou ali um lápis com papel. O fato, então, podia ser explicado até certo ponto. Sabe-se que os Espíritos produzem o movimento e a deslocação de objetos; que os apanham e atiram longe. Por que não poderiam pegar um lápis e servir-se dele para traçar letras? Já que o impulsionam, utilizando-se da mão do médium, de uma prancheta etc., podiam, da mesma forma, impulsioná-lo diretamente. Não tardou, porém, se reconhecesse que o lápis não era necessário e que bastava um simples pedaço de papel, dobrado ou não, para que em alguns minutos aparecessem letras sobre ele. Aqui, o fenômeno já muda completamente de figura e nos transporta a uma ordem inteiramente nova de coisas. As letras hão de ter sido traçadas com uma substância qualquer. Ora, desde que ninguém forneceu ao Espírito essa substância, deduz-se que ele próprio a compôs. De onde a tirou? Eis o problema. Se nos reportarmos às explicações dadas no capítulo VIII, itens 127 e 128, encontraremos a teoria completa do fenômeno. Para escrever dessa maneira, o Espírito não se serve das nossas substâncias nem dos nossos instrumentos. Ele próprio fabrica a matéria e os instrumentos de que precisa, tirando os seus materiais do elemento primitivo universal e fazendo-os sofrer, pela ação da sua vontade, as modificações necessárias à produção do efeito desejado. Assim, tanto pode fabricar o lápis vermelho, a tinta de impressão tipográfica, a tinta comum, como o lápis preto e até mesmo caracteres tipográficos bastante resistentes para darem relevo à escrita, conforme tivemos ocasião de verificar. A filha de um senhor que conhecemos, menina de 12 a 13 anos, obteve páginas inteiras, escritas com uma substância análoga ao pastel.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Pneumatografia ou escrita direta. Pneumatofonia
Tema Escrita direta
Item 148