Bibliografia – Condessa Mathilde de Canossa
Terá o P. Bresciani examinado bem a questão? Terá pesado o alcance de todas as suas palavras? Que nos permita a dúvida. Quando ele diz: Que são essas respostas de pessoas mortas e enterradas? Quem lhes faz ver um futuro que não existe?, nós nos perguntamos se foi um cristão ou um materialista que escreveu semelhantes coisas, embora o materialista falasse dos mortos com mais respeito. – Quem os faz proferir essas blasfêmias contra Deus? Mas onde estão essas blasfêmias? O autor, que atribui tudo ao diabo, as supôs; saberia, ao contrário, que a confiança mais ilimitada na bondade infinita de Deus é a base do Espiritismo; que tudo nele se faz em nome de Deus; que os Espíritos mais perversos não falam dele senão com temor e respeito, e os bons com amor. Que há nisso de blasfematório? – Mas o que pensar dessas palavras: Temos a pretensão de dotar a Natureza de forças que ela não tem, nem pode ter; nossos velhos, mais sábios, as tratavam, muito ingenuamente, de feitiçaria. Assim, é mais sábio atribuir os fenômenos da Natureza ao diabo do que a Deus. Enquanto proclamamos o poder infinito do Criador, o P. Bresciani lhe impõe limites; a Natureza, que resume a obra divina, não tem, e não pode ter, outras forças além das que conhecemos. Quanto às que poderiam ser descobertas, é mais sábio atribuí-las ao diabo que, assim, seria mais poderoso do que Deus. Há necessidade de indagar de que lado está a blasfêmia ou o maior respeito ao Ser Supremo? – Enfim, o diabo toma todas as aparências: Na verdade, não é muito gentil? Veste-se à americana, à inglesa, à parisiense; é realmente amável, sob a barba e o bigode fino dos italianos e seria muito desajeitado se não se revestisse de uma distinção irreprochável. Não sabemos se os senhores italianos sentir-se-ão envaidecidos por serem tomados como diabos de luvas amarelas. Quem são essas belas senhoras, que fazem coqueluche desses gentis demônios e que, ante o caridoso aviso de que há nisso algo de nebuloso, vos riem no rosto, exclamando: Que diacho! Não sou uma imbecil! Se é uma figura tomada pela realidade, perguntaremos em que mundo elas se servem de tão belas expressões. Lamentamos que o autor não tenha haurido seus conhecimentos de Espiritismo numa fonte mais séria, com o que não falaria tão levianamente. Enquanto não lhe opuserem argumentos mais peremptórios, seus partidários poderão dormir bem tranqüilos.
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Mês Fevereiro
Ano 1860