Por outro lado, o doutrinador é, usualmente, o pára-raios predileto do grupo, porque os Espíritos atribulados, trazidos ao diálogo, com ele se entendem e se desentendem. É nele que identificam a origem de seus problemas. É ele, usualmente, o organizador ou responsável pelo grupo, bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. Ainda voltaremos a este tema fascinante, lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas.
Em suma, o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades, ou aptidões básicas: · Formação doutrinária muito sólida, com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana.
· Familiaridade com o Evangelho de Jesus.
· Autoridade moral.
· Fé.
· Amor.
As demais são desejáveis, importantes também, mas não tão críticas: · Paciência.
· Sensibilidade.
· Tato.
· Energia.
· Vigilância.
· Humildade.
· Destemor.
· Prudência.
Com respeito ao doutrinador, falta ainda abordar um aspecto final, antes de prosseguir.
Como é também o dirigente humano do grupo, precisa, como já dissemos, estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato, sem abandonar a firmeza.
Disciplina não é sinônimo de ditadura. Quando o grupo reunir-se, para debater problemas ligados ao trabalho, deve o dirigente comportar-se como simples participante, para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. No momento de tomar a decisão, cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes. Precisa tratar a todos, médiuns ou não, com o mesmo carinho e compreensão, sem paternalismos e preferências, mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. Precisa despertar, nos seus companheiros, a afeição, a camaradagem e o respeito. Poderá ser o primeiro entre eles; certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos; mas não e o maior”.
A essa altura, dirá o leitor, algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador...
É verdade. É, sim.