A resposta à primeira objeção acha-se na seguinte passagem:
“A Escritura e a tradição denominam céu o lugar no qual se haviam colocado os anjos, no momento da sua criação. Mas esse não era o céu dos céus, o céu da visão beatífica, onde Deus se mostra face a face aos seus eleitos, que o contemplam claramente e sem esforço, porque aí não há mais possibilidade nem perigo de pecado; a tentação e a dúvida são aí desconhecidas; a justiça, a paz e a alegria reinam imutáveis; a santidade e a glória são imperecíveis. Era, portanto, outra região celeste, uma esfera luminosa e afortunada, em que essas nobres criaturas, largamente favorecidas pelas comunicações divinas, deveriam recebê-las e a elas aderir com fé e humildade, antes de serem admitidas a ver claramente a sua realidade na essência do próprio Deus.”
Do que acaba de ser dito podemos deduzir que os anjos decaídos pertenciam a uma categoria menos elevada, menos perfeita, não havendo ainda alcançado o lugar supremo em que o erro é impossível. Tudo bem, mas, então, há manifesta contradição, visto que o texto também sustenta que “Deus os criara em tudo semelhantes aos Espíritos sublimes que, subdivididos em todas as ordens e misturados em todas as classes, tinham o mesmo fim e o mesmo destino, sendo o seu chefe o mais belo dos arcanjos”. Ora, se foram feitos em tudo semelhantes aos outros, não lhes seriam inferiores em natureza, e se estavam misturados em todas as classes, não podiam permanecer em um lugar especial. A objeção, portanto, subsiste inteiramente.