A outra anedota é também espirituosa: “Foi domingo à noite, durante terrível tempestade, cujas devastações foram enumeradas pelos jornais de ontem.
Debaixo da chuva e dos relâmpagos, uma caleche descia a Avenida de Neuilly; dentro se achavam quatro pessoas; tinham jantado numa casa muita agradável e hospitaleira, perto do parque de Neuilly e, animados pela noite agradável e despreocupados da tempestade, os quatro viajantes se entregavam a uma conversa um tanto leviana.
“Falavam de mulheres, dizendo mal delas e até mesmo as caluniando um pouco. O nome de uma jovem foi posto em causa e alguém emitiu dúvidas quanto à nacionalidade da vítima, insinuando que seguramente não tinha vindo à luz em Nanterre.
“De repente, um trovão fez estremecer as portinholas, um relâmpago iluminou toda a carruagem e a chuva açoitava os vidros quase os quebrando. Ao clarão do raio, os quatro viajantes viram, então, de pé, à sua frente, na viatura, um quinto viajante, ou, melhor, uma viajante – era uma mulher, vestida de branco, um espectro, um anjo. A aparição se desvaneceu com o relâmpago; depois, como se o fantasma tivesse querido protestar contra a calúnia que dirigiam à jovem ausente, uma chuva de flores de laranjeira caiu sobre os quatro companheiros de viagem e os cobriu com uma neve perfumada.
“Havia, é verdade, um médium entre os quatro viajantes.
“Nada vos obriga a dar crédito a esta história inverossímil e, de minha parte, não creio nela um traidor; palavra.
Foi um dos quatro viajantes quem ma contou e ma afirma. Ela me pareceu original, eis tudo!”