Alegam ainda outra razão: “As almas permanecem na morada que a Justiça divina lhes assinala, o que significa dizer no inferno ou no paraíso”. Assim, as que estão no inferno, de lá não podem sair, embora tal prerrogativa seja concedida aos demônios. As do paraíso, inteiramente entregues à sua beatitude, estão muito superiores aos mortais para deles se ocuparem e são bastante felizes para não voltarem a esta terra de misérias, no interesse de parentes e amigos que aqui deixaram. Tais almas se assemelham a certos milionários que, não querendo perturbar a digestão, desviam a vista dos pobres. Mas se fosse assim elas se mostrariam pouco dignas da felicidade suprema, que seria, por sua vez, o prêmio do egoísmo!
Restam ainda as almas do purgatório. Estas, porém, sofredoras como devem ser, devem cuidar, antes de qualquer outra coisa, da própria salvação. Deste modo, não podendo nem as almas do céu, nem as do inferno, nem as do purgatório corresponder ao nosso apelo, somente o diabo se apresenta em seu lugar. Ora, se as almas não podem vir, não há de que temer pela perturbação do seu repouso.