O trabalho, o prazer mesmo, tudo aborrece quando estamos sós. Mas, basta chegar um amigo e outros em seguida, e eis que o entusiasmo, que arrasta, pouco a pouco se desenvolve. Que surjam então os grupos rivais, e o júbilo produzirá maravilhas.
A comunicação fluídica, essa quintessência de nosso ser, produz harmonia ao se desprender de nós para envolver aquele que sente a sua falta. Os fortes arrastam os fracos, elevam-nos por um momento até eles e a igualdade reina; ela governa os homens fascinados pelo seu domínio.
A bem dizer, todo o mundo é fluídico, pois que cada um sente impressões, experimenta atrações. Apenas as manifestações são mais ou menos intensas e sua influência se mostra com mais ou menos força. Alguns usam os fluidos para si mesmos, para a sua própria consumação, poderíamos dizer, e somente atuam debilmente sobre os seus semelhantes. Outros, pelo contrário, irradiam a distância e exercem ao seu redor uma pressão enérgica, para o bem ou para o mal.
Há ainda os que, não tendo nenhum poder sobre os outros homens, possuem uma poderosa faculdade de domínio sobre os animais e sobre os vegetais, que se modificam e se aperfeiçoam mais facilmente sob a sua ação inteligente.
Sendo o magnetismo o fluido circulante que cada criatura assimila à sua maneira e em graus diferentes, pode-se ver nele esse imenso encadeamento e essa imensa atração que une e desune, atrai e repele todos os seres criados, fazendo de cada um deles uma pequena unidade que vai, obedecendo à mesma lei, confundir-se na majestosa unidade do Universo.
O magnetismo que, aliás, não passa do processo de que nos servimos para a concentração e a liberação do fluido, é essa associação magnífica de todas as forças criadas. O fluido é o circulante que põe os seres em vibração uns com os outros.
Em certos casos de delírio momentâneo, o toque de uma pessoa simpática, seu beijo, sua palavra bastam para acalmar o doente. Já se viu o doente ser aliviado apenas se entrando em seu quarto, como é possível ver-se a excitação produzir-se quando outra pessoa se aproxima.
É o resultado das atrações ou das repulsões, explicadas pelo jogo dos fluidos entre si.
Diz-se freqüentemente de pessoas que se casam, mas que não se amam: – Eles se amarão mais tarde!
Ao contrário, isto é bem pouco provável, porque a atração é livre e não se deixa violentar. Sem dúvida há naturezas pouco fluídicas, para as quais a estima pode suprir o amor; mas as grandes e generosas naturezas não poderiam contentar-se com esses sentimentos tíbios. A indiferença toma então o lugar do amor que falta, e é raro que, apesar de todos os mais belos raciocínios que façam, um ou outro desses esposos em desarmonia não se deixe encantar por outra pessoa. Talvez tenha a força de resistir a esse arrastamento, mas será incuravelmente infeliz.
Fechemos pois os ouvidos a esses falsos ensinamentos, e que as famílias não façam jamais do casamento um negócio, uma questão de tráfico ilegal. Quis Deus que o amor presidisse à perpetuidade da Criação; respeitemos os seus desígnios e não violentemos os fluidos. O homem e a mulher obedecem ao charme, é a lei natural, e quando se tenta resisti-la, paga-se a desobediência com a infelicidade de toda a existência.
Eug. Bonnemère O Espiritismo em Toda Parte A literatura contemporânea se impregna cada dia mais das idéias espíritas. Com efeito, nossa Doutrina é uma fonte fecunda para os trabalhos de imaginação; aí os escritores podem haurir descrições poéticas, quadros emocionantes e verossímeis, situações interessantes e completamente novas, que não poderiam fazer surgir do campo limitado e prosaico que lhes oferecem as doutrinas materialistas. Por isso os autores, mesmo materialistas, começam a explorar novos horizontes abertos ao pensamento pelo Espiritismo, tamanha é a necessidade que sentem de falar à alma e poetizar o caráter de seus personagens, se quiserem conquistar o interesse de seus leitores.
Muitas vezes a Revista já assinalou romances, novelas, obras teatrais, etc., que exploram os nossos ensinos e caracterizam a reação que começa a operar-se nas idéias. Continuaremos, de vez em quando, a registrar os fatos que entram no quadro do Espiritismo.