44. Médiuns falantes – Os médiuns audientes, que nada mais fazem do que transmitir o que ouvem, não são propriamente médiuns falantes, os quais, as mais das vezes, nada ouvem. Com eles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atuam sobre a mão dos médiuns escreventes. Querendo comunicar-se, o Espírito se serve do órgão que acha mais maleável: de um, utiliza-se da mão; de outro, da palavra; de um terceiro, da audição. Em geral, o médium falante se exprime sem ter consciência do que diz e diz amiúde coisas inteiramente fora do âmbito de suas ideias habituais, de seus conhecimentos e, até, fora do alcance da sua inteligência. Não é raro verem-se pessoas iletradas e de inteligência vulgar expressar-se, em tais momentos, com verdadeira eloquência e tratar, com incontestável superioridade, de questões sobre as quais seriam incapazes de emitir, no estado ordinário, uma opinião.
Se bem esteja perfeitamente acordado quando exerce a sua faculdade, raro é que o médium falante guarde lembrança do que disse. Nem sempre, porém, é integral a sua passividade. Alguns há que têm intuição do que dizem, no próprio instante em que proferem as palavras.
Estas, no médium falante, são o instrumento de que se serve o Espírito com quem uma pessoa estranha pode entrar em comunicação, do mesmo modo que o pode fazer com o concurso de um médium audiente. Entre o médium falante e o médium audiente, há a diferença de que este fala voluntariamente para repetir o que ouve, ao passo que o outro fala involuntariamente.