XIV
Foi então que os amigos espirituais do médico propuseram trazer os pobres seres desorientados para que fossem esclarecidos, individualmente, pelo doutor - que se revelou um bom doutrinador -, através da mediunidade da sra. Wickland. Vejamos como o autor e médico coloca o problema. Diz ele às páginas 90 e 91: "O organismo de todos os seres humanos gera uma força nervosa magnética que o envolve numa atmosfera de emanação vital e luz psíquica conhecida como aura magnética. Essa aura é vista como luminosidade pelos espiritos ainda presos às sombras do ambiente terreno e que podem sentir-se atraídos por pessoas particularmente suscetíveis a esse tipo de invasão. Tais espíritos, freqüentemente incapazes de abandonar essa atmosfera psíquica e, devido ao resultante estado de confusão - mesmo lutando por libertarem-se -, acabam convivendo com o médium, ressentido da presença deles e desnorteado por uma sensação de dupla personalidade. Após retirar de um paciente vários espíritos, a princípio turbulentos, tivemos a seguinte experiência, que demonstra claramente o sofrimento que os espíritos suportam quando se enredam na aura de uma morta. (Wickland. Carl) Segue-se a transcrição de um longo diálogo, no qual o espírito totalmente ignorante de sua real situação, diz, a certa altura: "Eu estava no meu lugar. Havia muitos de nós, todos embalados, homens e mulheres. Tínhamos um lar, mas não podíamos sair dali. Às vezes, o ambiente era tépido. Por algum tempo, eu permanecera sozinho na escuridão. Antes de ser preso, pude falar uma vez, mas agora estou só. Você não tem o direito de me colocar aquelas coisas que queimam". (Idem). Como se pode observar, o espírito viveu algum tempo na situação de erraticidade mencionada na codificação espírita. Sentia-se sozinho e mergulhado em trevas. Atraído pela aura de uma pessoa que oferecia condições propícias, ele se aproximou e acabou como que imantado ali, juntamente com outros espíritos em condições semelhantes às suas. No jargão popular, era uma situação de 'encosto', da qual o médium involuntário e despreparado sofria penosas conseqüências, inclusive doenças de natureza psicossomáticas. Depreende-se, ainda, do texto e das sumárias observações adicionais do doutor que, após afastados os demais espíritos - e como eles reclamavam dos choques elétricos! - a manifestante (era uma mulher), ficou sozinha e conseguiu até comunicar-se através da sua vítima e hospedeira, mas acabou também desalojada por verdadeira tempestade magnética provocada pelos choques aplicados pelo dr. Wickland, com a sua temível aparelhagem. Eis aí, portanto, exemplos vivos de que a aura é, de fato, a 'plataforma onipresente' de que nos fala André luiz, "antecâmara de todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia", extensão viva do perispírito que, segundo Kardec, é o "órgão transmissor de todas as sensações" e "princípio de todas as manifestações". Não há, pois, como minimizar ou ignorar a importância da aura e do perispírito no estudo dos fenômenos de natureza anímica ou mediúnica.
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Nome do Capítulo Aura