Capítulo 43
No capítulo precedente colocamos em evidência o esforço preparatório dos Espíritos Superiores nos cometimentos de efeitos físicos. Focalizemos, agora, a segunda fase dos preparativos, ou seja, aquela que se inicia logo depois da preparação do ambiente e a sua defesa no exterior, pelos supervisores desencarnados. Nos fenômenos de materialização, os Espíritos têm que contar com três elementos essenciais, a fim de que o trabalho alcance êxito. A esses elementos, o Assistente Áulus, visando, sem dúvida, a melhor compreensão dos estudiosos, dá a denominação de Fluidos "A", "B" e "C", classificando-os da seguinte maneira: A — Representando as forças superiores e sutis das Esferas elevadas. B — Recursos ou energias do médium (ectoplasma) e dos seus companheiros. C — Recursos ou energias tomadas à Natureza terrestre, nas águas, nas plantas, etc. O próprio Assistente acentua que os supervisores não encontram dificuldades na manipulação dos Fluidos "A" e "C". Os fluidos "A" são puros e contribuem para a sublimação do fenômeno; os fluidos "C" são dóceis e representam energias extremamente propícias à execução dos trabalhos. Todavia, quando chega o momento de selecionar e apurar os Fluidos "B", que representam a contribuição dos encarnados, o esforço dos obreiros espirituais esbarra, sempre, com enormes obstáculos. Na maioria dos casos é profundamente trabalhoso o serviço de composição dos três elementos (A, B e C), porque, enquanto o Plano Superior e a Natureza oferecem o que de melhor possuem, nós, os encarnados, responsáveis pela contribuição "B", primamos em oferecer o que de mais ínfimo detemos, através de "formas-pensamentos" absurdas, de emanações viciosas resultantes do uso do fumo e da bebida e do abuso de carnes, bem assim de petições inadequadas, simbolizando os caprichos e incongruências que nos são peculiares. Vejamos como André Luiz descreve o conjunto dos encarnados: "As catorze pessoas assembleadas no recinto eram catorze caprichos diferentes. Não havia ali ninguém com bastante compreensão do esforço que se reclamava do mundo espiritual, e cada companheiro, ao invés de ajudar o instrumento mediúnico, pesava sobre ele com inauditas exigências. Em razão disso, o médium não contava com suficiente tranquilidade. Figurava-se-nos um animal raro, acicatado por múltiplos aguilhões, tais os pensamentos descabidos de que se via objeto." Como se vê, pela triste descrição de André Luiz, esmeramos, lastimavelmente, em nos constituirmos as mais dissonantes notas da sublime orquestração da Vida. As plantas e as águas, em harmonia com os recursos do Plano Superior, esbarram contra a indisciplina e a invigilância, o imediatismo e a presunção de nós outros, os encarnados. Acompanhemos, um pouco mais, a narrativa de André Luiz: "Os amigos, ainda na carne, mais se nos figuravam crianças inconscientes. Pensavam em termos indesejáveis, expressando petições absurdas, no aparente silêncio a que se acomodavam, irrequietos. Exigiam a presença de afeições desencarnadas, sem cogitarem da oportunidade e do merecimento imprescindíveis, criticavam essa ou aquela particularidade do fenômeno ou prendiam a imaginação a problemas aviltantes da experiência vulgar." Retomando o fio de nossas considerações, salientemos, ainda, novas providências tomadas pelos supervisores, agora não mais para defender o local das sessões, mas para colocar o médium, fisiológica e psicologicamente, em condições de, a salvo de qualquer surpresa desagradável ao organismo, possibilitar a integralização do fenômeno. Tais providências se caracterizam pelo socorro magnético, também com três fundamentais objetivos, a saber: a) — Incentivo aos processos digestivos do médium; b) — Limpeza do sistema nervoso, para as saídas de forças; c) — Auxílio para o desdobramento do médium. Com relação ao item "a", transcrevamos de André Luiz no livro "Missionários da Luz": "Ele (Alexandre), Verônica e mais três assistentes diretos de Alencar colocaram as mãos, em forma de coroa, sobre a fronte da jovem e vi que as suas energias reunidas formavam vigoroso fluxo magnético que foi projetado sobre o estômago e o fígado da médium, órgãos esses que acusaram, imediatamente, novo ritmo de vibrações." Sob a ação magnética dos supervisores, notou André Luiz "maior produção de bile e de enzimas digestivos, bem assim acelerada atividade do pâncreas lançando grandes porções de tripsina na parte inicial dos intestinos". "As células hepáticas esforçavam-se, apressadas, armazenando recursos da nutrição ao longo das veias interlobulares, que se assemelhavam a pequeninos canais de luz." Ao iniciarem os Amigos Espirituais o trabalho de assistência aos centros nervosos da médium — item "b" — observou André Luiz (ainda em "Missionários da Luz") que "as forças projetadas sobre a organização mediúnica efetuavam limpeza eficiente e enérgica, porquanto via, espantado, os resíduos escuros que lhes eram arrancados dos centros vitais". Quanto ao item "c", transcrevamos as observações de André Luiz: "Prosseguindo o exame dos trabalhos em curso, reparei que Verônica alçava, agora, a destra sobre a cabeça da jovem, demorando-a no centro de sensibilidade. — Nossa irmã Verônica — explicou o meu generoso orientador — está aplicando passes magnéticos como serviço de introdução ao desdobramento necessário." As considerações, até o momento expendidas, levam-nos a repetir o que dissemos no início do precedente capítulo: o fator moral tem que estar presente em todas as realizações do Espiritismo Cristão. Moral que determine o elevado comportamento dos encarnados, ante a magnitude do fenômeno. Moral que contribua, decisivamente, para a sublimação dos trabalhos e assegure a pureza das manifestações e o perfeito equilíbrio fisiológico do médium. Moral que faça, de cada um dos componentes do grupo, um irmão interessado, sobretudo, na extensão dos benefícios aos enfermos que ali se congregam. Moral que grave na consciência de todos a certeza de que, antes da satisfação de nossos caprichos e entusiasmos, paira, altaneiro e sublime, porque revestido de eternidade, o cumprimento da advertência de Jesus-Cristo: "O mandamento que vos dou é que vos ameis uns aos outros como eu vos amei."
TAG Valor
Nome do Capítulo Materialização (2º)