O fator moral nunca está ausente de qualquer realização espírita.
Assim sendo, também nas manifestações de efeitos físicos as motivações superiores constituem a razão de ser da concordância dos Espíritos em se materializarem.
Todos os fenômenos de materialização são regidos, ou supervisionados, por entidades elevadas, capazes de conduzir com segurança tão importantes, difíceis e perigosos trabalhos.
Nenhum Espírito Superior — podemos dizer isto sem pestanejar — concorda em materializar-se simplesmente para atender à curiosidade de "A" ou "B".
Esta convicção nos leva a pensar como é possível um grupo de pessoas, sem o devido senso de responsabilidade ante fenômeno tão complexo, dedicar-se ao trabalho de "fazer sessões de materialização"!
Uma vez que as pessoas não familiarizadas com o Espiritismo costumam confundir "materialização" com "aparição", iniciemos o presente estudo definindo, convenientemente, uma e outra coisa.
MATERIALIZAÇÃO é o fenômeno pelo qual os Espíritos se corporificam, tornando-se visíveis a quantos estiverem no local das sessões.
Não é preciso ser médium para ver o Espírito materializado.
Materializando-se, corporificando-se, pode o Espírito ser visto, sentido e tocado.
Podemos abraçá-lo, sentir-lhe o calor da temperatura, ouvir-lhe as pulsações do coração e com ele conversar naturalmente.
APARIÇÃO é o fenômeno pelo qual o Espírito é visto APENAS por quem tiver vidência.
A materialização é um fenômeno objetivo e a aparição é um fenômeno subjetivo.
Há, portanto, fundamental diferença entre uma e outra.
Estabelecida a distinção, entremos no assunto.
As reuniões exigem um trabalho preparatório, a que chamaríamos primeira fase, muito intenso, de encarnados e desencarnados, especialmente dos últimos.
Os supervisores espirituais tomam, inicialmente, três principais providências, assim discriminadas:
a) — Isolamento do local das sessões num círculo de mais ou menos 20 metros;
b) — Ionização da atmosfera;
c) — Destruição das larvas.
Tais são as primeiras providências tomadas por entidades especializadas.
O isolamento do local se faz por meio de extenso cordão de obreiros esclarecidos, a fim de evitar o acesso de entidades inferiores que podem, não somente perturbar os trabalhos, mas também afetar a pureza do material utilizado nas materializações, tais como, ectoplasma, fluidos, etc.
A ionização é, por assim dizer, um processo de eletrificação do ambiente.
A sua finalidade é possibilitar a combinação de recursos para efeitos elétricos e magnéticos.
Os focos de luz, lampejos, etc., que se observam nas sessões, são devidos à combinação de recursos, graças à ionização da atmosfera momentos antes dos trabalhos.
A destruição das larvas por "aparelhos elétricos invisíveis (aparelhos espirituais)" se executa a fim de evitar que o ectoplasma (força nervosa do médium) sofra a intromissão de certos "elementos microbianos"...
"A força nervosa do médium é matéria plástica e profundamente sensível às nossas criações mentais."
Este assunto foi objeto de completa elucidação no livro "Missionários da Luz", sendo aconselhável a sua consulta pelo leitor.
Dessa obra, no capítulo sobre materializações, extraímos estes apontamentos.
Como nos é dado observar, insano é o esforço dos Espíritos na organização de trabalhos de materialização.
Assim sendo, é justo entendamos que somente por motivos superiores os Espíritos se materializam, tais como:
a) — Atendimento aos sofredores encarnados, nos serviços de cura;
b) — Facilitar investigações científicas respeitáveis, previamente planejadas no Plano Superior.
Se na parte dos Espíritos há semelhante esforço, visando a resguardar a organização mediúnica e assegurar o bom êxito das materializações, é natural que os encarnados também se preparem e colaborem convenientemente.
Há necessidade da disciplina espiritual e da abstinência de certos alimentos e bebidas que, tomadas ou ingeridas, determinam emanações venenosas que podem atingir, prejudicialmente, a organização do médium.
Como? Por quê?
Vejamos: o médium fornece, com abundância, ectoplasma do seu próprio corpo, destinado à materialização dos Espíritos.
Esse ectoplasma, após a desmaterialização dos Espíritos, lhe é restituído ao organismo.
Assim sendo, cumpre preservar a pureza do ectoplasma.
Se o ambiente se acha impregnado de "formas-pensamentos" inferiores e de substâncias venenosas, estas resultantes da ingestão de alimentos grosseiros e bebidas excitantes, o ectoplasma é restituído cheio de impurezas, afetando o aparelhamento fisiológico de quem, com tanta boa vontade, se ofereceu ao serviço: o médium!
Os componentes de um grupo de materialização que funciona na base da seriedade e do respeito, têm, invariavelmente, de tomar as seguintes precauções, abstendo-se de:
a) — Alcoólicos.
b) — Fumo.
c) — Bebidas.
d) — Pensamentos inadequados.
Poucos se submetem a essa disciplina, daí os perigos que as reuniões de materialização apresentam.
"Todo o perigo desses trabalhos está na ausência de preparo dos nossos amigos da Crosta, os quais, na maioria das vezes, alegando impositivos científicos, se furtam a comezinhos princípios de elevação moral."
Os assistentes, de um modo geral, não tomam conhecimento desses perigos.
Querem apenas ver os Espíritos e deslumbrarem-se ante a maravilha do fenômeno, sem atentar no sacrifício das entidades e do médium.
E, muito menos, nas consequências morais que decorrem do fenômeno.
As materializações, antes de nos empolgarem pelo sentido fenomênico, devem constituir motivo para que, exaltando a Vida Imortal e nos lembrando da Transfiguração do Senhor, façamos, de nossa parte, o possível para acendermos no coração a lanterna do aperfeiçoamento espiritual.