Algumas pessoas julgam ser preferível que todos se abstenham de fazer perguntas aos Espíritos e que convém esperar o ensino deles, sem o provocar. É um erro. Os Espíritos, indubitavelmente, dão instruções espontâneas de elevado alcance, que não se pode desprezar. Mas há explicações que teríamos de esperar longo tempo se não fossem solicitadas. Sem as questões que propusemos, O livro dos espíritos e O livro dos médiuns ainda estariam por ser feitos ou, pelo menos, não seriam tão completos, ficando sem solução uma porção de problemas de grande importância. As questões, longe de terem qualquer inconveniente, são de grandíssima utilidade, do ponto de vista da instrução, quando quem as propõe sabe encerrá-las nos devidos limites. Têm ainda outra vantagem: a de concorrerem para desmascarar os Espíritos mistificadores que, mais pretensiosos do que sábios, raramente suportam a prova das perguntas feitas com cerrada lógica, por meio das quais o interrogante os leva aos seus últimos redutos. Como os Espíritos verdadeiramente superiores nada têm a temer de semelhante controle, são os primeiros a provocar explicações sobre os pontos obscuros. Os outros, ao contrário, receando ter que lidar com antagonistas mais fortes, os evitam com cuidado. Por isso mesmo, em geral eles recomendam aos médiuns que desejam dominar, e aos quais querem impor as suas utopias, que se abstenham de toda controvérsia a propósito de seus ensinos.
Quem haja compreendido perfeitamente o que temos dito até aqui, nesta obra, já pode fazer ideia do círculo em que convém limitar as perguntas a serem dirigidas aos Espíritos. Todavia, para maior segurança, transcrevemos abaixo as respostas que eles nos deram acerca dos assuntos principais sobre os quais as pessoas pouco experientes se mostram geralmente predispostas a interrogá-los.