Capítulo 26
Todo cuidado é pouco quando se deseja formular perguntas aos Espíritos, sobretudo no que diz respeito à natureza das perguntas. Duas coisas hão de ser consideradas nesse processo: a forma e o fundo. Quanto à forma, as perguntas devem ser redigidas com clareza e precisão, evitando-se as questões complexas. Outro ponto importante é a ordem que deve presidir à disposição das perguntas. Quando o assunto exige uma série delas, é essencial que se encadeiem com método, de modo a decorrerem naturalmente umas das outras. Os Espíritos, nesse caso, respondem mais facilmente e mais claramente do que quando as perguntas se sucedem ao acaso, passando, sem transição, de um assunto para outro. É por essa razão que se deve prepará-las com antecedência, sem prejuízo de outras que possam ser intercaladas no decorrer da sessão, caso as circunstâncias assim o exijam. Além de ser melhor a redação feita com calma, esse trabalho preparatório constitui, como já dissemos, uma espécie de evocação antecipada, a que o Espírito pode ter assistido e que o predispõe a responder. É de notar-se que muito frequentemente o Espírito responde por antecipação a algumas perguntas, o que prova que já as conhecia. O fundo da questão exige atenção ainda mais séria, porque, muitas vezes, é a natureza da pergunta que provoca uma resposta exata ou falsa. Algumas delas os Espíritos não podem ou não devem responder, por motivos que desconhecemos, sendo, pois, inútil insistir. Porém, o que sobretudo se deve evitar são as perguntas feitas com o fim de lhes pôr à prova a perspicácia. Quando uma coisa existe, dizem, eles a devem saber. Ora, é justamente porque conheceis a coisa, ou porque tendes os meios de verificá-la, que eles não se dão ao trabalho de responder. Essa suspeita os irrita e nada se obtém de satisfatório. Não temos todos os dias exemplos disso entre nós? Homens superiores, conscientes do seu valor, se divertiriam em responder a todas as perguntas tolas, que tivessem em vista submetê-los a um exame, como se fossem estudantes? O desejo de conquistar adeptos não constitui, para os Espíritos, motivo para satisfazerem a uma vã curiosidade. Eles sabem que a convicção virá, cedo ou tarde, e os meios que empregam para produzi-la nem sempre são os que supomos melhores. Imaginai um homem grave, ocupado em coisas úteis e sérias, incessantemente importunado pelas perguntas pueris de uma criança, e tereis ideia do que devem pensar os Espíritos superiores de todas as futilidades que lhes são perguntadas. Não se segue daí que não se possam obter esclarecimentos úteis e, sobretudo, bons conselhos por parte dos Espíritos; eles, porém, respondem mais ou menos bem, conforme os conhecimentos que possuem, o interesse que têm por nós, a afeição que nos dedicam e, finalmente, o fim a que nos propomos e a utilidade que vejam no que lhes pedimos. Se, entretanto, nós os interrogamos unicamente porque os julgamos mais capazes do que outros, para melhor nos esclarecerem sobre as coisas deste mundo, claro que não nos poderão dispensar grande simpatia. A partir de então, suas aparições serão curtas e, não raro, conforme o grau de imperfeição de cada um, manifestarão mau humor por terem sido incomodados inutilmente.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Perguntas que se podem fazer aos Espíritos
Tema Observações preliminares
Item 286