Bem poucos homens vivem despreocupados do dia seguinte. Ora, se cada um se inquieta pelo que virá após o dia que está transcorrendo, com mais forte razão é natural se preocupe com o que haverá depois do grande dia da vida, pois já não se trata de alguns instantes, mas da eternidade. Viveremos ou não viveremos, findo esse grande dia? Não há meio-termo; é uma questão de vida e de morte; é a suprema alternativa!...
Se interrogarmos o sentimento íntimo da quase universalidade dos homens, todos responderão: “Viveremos.” Essa esperança constitui uma consolação. Entretanto, uma pequena minoria se esforça, sobretudo de algum tempo para cá, por lhes provar que não viverão. Fez prosélitos essa escola, força é confessá-lo, e principalmente entre os que, temendo a responsabilidade do futuro, acham mais cômodo gozar sem constrangimento do presente, sem se perturbarem com a perspectiva das consequências. Essa, porém, é a opinião de uma pequena minoria.
Se havemos de viver, como viveremos? Em que condições viremos a encontrar-nos? Aqui, os sistemas variam, de acordo com as ideias religiosas e filosóficas. Podem, no entanto, reduzir-se a cinco todas as capitais alternativas, que passamos a sumariar, a fim de que se torne mais fácil a comparação e cada um possa escolher a que lhe pareça mais racional e melhor corresponda às suas aspirações pessoais e às exigências da sociedade. As cinco alternativas são as que resultam das doutrinas do materialismo, do panteísmo, do deísmo, do dogmatismo e do Espiritismo.