Capítulo 2
Os fenômenos espíritas, assim como os fenômenos magnéticos, tiveram que passar por prodígios, antes que se lhes conhecesse a causa. Ora, do mesmo modo que os céticos, os Espíritos fortes, isto é, os que gozam do privilégio exclusivo da razão e do bom senso, não admitem que uma coisa seja possível, desde que não a compreendam. É por isso que todos os fatos considerados prodigiosos são objeto de suas zombarias. Visto que a Religião contém grande número de fatos desse gênero, não creem nela e daí à incredulidade absoluta não há mais que um passo. Explicando a maioria desses fatos, o Espiritismo lhes dá uma razão de ser. Vem, pois, em auxílio da Religião, ao demonstrar a possibilidade de certos fatos que, por não terem mais o caráter miraculoso, nem por isso deixam de ser menos extraordinários, e Deus não fica sendo menor nem menos poderoso, por não haver derrogado suas leis. De quantos gracejos não foram objeto as levitações de São Cupertino! Ora, a suspensão etérea dos corpos pesados é um fato explicado pela lei espírita. Fomos testemunha ocular desse fato, e o Sr. Home, assim como outras pessoas de nosso conhecimento, repetiram muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Logo, este fenômeno pertence à ordem das coisas naturais.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo O maravilhoso e o sobrenatural
Item 16