“Quais são os agentes secretos de tais fenômenos, os verdadeiros autores dessas cenas inexplicáveis? Os anjos não aceitariam desempenhar esses papéis indignos, nem se prestariam a todos os caprichos da curiosidade.”
O autor quer falar das manifestações físicas dos Espíritos, no número das quais existem algumas que são evidentemente pouco dignas de Espíritos superiores. Nós lhe pediremos, contudo, que substitua o vocábulo anjo pela expressão Espíritos puros ou Espíritos superiores, pois assim teremos exatamente o que diz o Espiritismo. Mas não se poderia considerar indignas dos Espíritos bons uma infinidade de comunicações dadas pela escrita, pela palavra, pela audição ou por quaisquer outros meios, pois que tais comunicações seriam e são dignas dos homens mais eminentes da Terra. O mesmo se pode dizer quanto às curas, aparições e um sem-número de fatos que os livros santos citam em profusão como obra de anjos ou de santos. Se, pois, os anjos e os santos produziram outrora fenômenos semelhantes, por que não os produzirão hoje? Por que os mesmos fatos seriam hoje obra do demônio, nas mãos de certas pessoas, enquanto nas mãos de outros são reputados santos milagres? Sustentar semelhante tese é renunciar a toda lógica.
O autor da pastoral incorre em erro quando afirma que tais fenômenos são inexplicáveis. Ao contrário, hoje esses fenômenos são perfeitamente explicados, tanto que não se consideram mais como maravilhosos e sobrenaturais. Porém, mesmo que não fossem explicados, atribuí-los hoje ao diabo seria tão ilógico quanto conferir a este, em outros tempos, as honras de todos os fenômenos naturais cuja causa então se desconhecia.
Por papéis indignos devemos entender os que visam o mal e o ridículo, a menos que queiramos qualificar como indigna a obra salutar dos Espíritos bons, que promovem o bem, encaminhando os homens para Deus, pela virtude. Ora, o Espiritismo diz expressamente que os papéis indignos não cabem aos Espíritos superiores, como se deduz dos seguintes preceitos: