Capítulo 11
A esta objeção, respondem que todas as leis de Moisés foram ditadas em nome de Deus, assim como a do Sinai, mas, julgando-as todas de fonte divina, por que os mandamentos se limitam ao Decálogo? Qual a razão de ser da diferença? Se todas emanam de Deus não devem ser igualmente obrigatórias? E por que não conservam a circuncisão, à qual Jesus se submeteu e não aboliu? Esquecem que todos os legisladores antigos, para darem mais autoridade às suas leis, atribuíam a todas uma origem divina. Moisés, mais que nenhum outro, necessitava desse recurso, tendo em vista o caráter do seu povo. Se, apesar de tudo isso, ele teve dificuldade em se fazer obedecer, que não sucederia se as leis fossem promulgadas em seu próprio nome! Não veio Jesus modificar a lei mosaica, fazendo da sua lei o código dos cristãos? Não disse Ele: “Sabeis o que foi dito aos antigos, tal e tal coisa, e Eu vos digo tal outra coisa?”. Entretanto, Jesus não proscreveu, antes sancionou a lei do Sinai, da qual toda a sua doutrina moral é um desdobramento. Ora, Jesus nunca se referiu, em parte alguma dos Evangelhos, à proibição de evocar os mortos, quando este era um assunto bastante grave para ser omitido nas suas prédicas, principalmente se levarmos em conta que Ele tratou de outros assuntos secundários.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo É proibido evocar os mortos?
Item 6