Capítulo 6
Graças a Deus, não me deixei impressionar. Dei-lhe razão. Sim, infelizmente, meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool, provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa, ou vítima. Quem sabe se do próprio, que ora me trazia? Felizmente, o ardil não produziu os resultados que ele esperava. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. O companheiro acabou se convencendo, graças a Deus, e partiu arrependido e em pranto. De modo que, se o grupo está bem ajustado e integrado, todos se estimam e se respeitam, não é a leviandade de um pobre Espírito, em estado de angústia, que vai desequilibrá- lo; mas, se há estranhos na sala, o problema se torna bem mais sério. Por outro lado, mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves, não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos, tanto entre 4 Ao que se depreende do texto, Paulo dá o nome de profeta ao médium de Incorporação ou Psicofônico. os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. A introdução de um estranho causa certo desajuste, que nem sempre é possível corrigir com facilidade e rapidez. Tive, também, algumas experiências nesse sentido. Por duas vezes quebramos, em um grupo mediúnico, a regra que havíamos estabelecido, de não admitir pessoas estranhas às tarefas. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas, e nem as movia a simples curiosidade. Num caso, tratava-se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. Embora não-espírita, encarava com simpatia nossa Doutrina. Sua esposa desencarnara relativamente jovem, e ele estava profundamente abalado. A instâncias de um dos nossos companheiros, resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. Talvez alimentasse ele a esperança de uma noticia acerca da esposa ou, quem sabe até uma palavra dela mesma... Sentou-se em uma cadeira à parte, fora do círculo que compunha a mesa, e lá ficou, em silêncio e em atitude respeitosa. Na verdade, sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite, mas eles se arrastaram dificultosamente; havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte, e parecia pairar no ar certa dissonância, que não conseguimos vencer, e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. É certo que, conscientemente, ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho, e isso nem passaria pelas nossas mentes; mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais, por parte de nossos benfeitores, para que a sessão pudesse realizar-se. Esse aspecto negativo repetiu-se, com as mesmas características, em circunstâncias semelhantes, com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. Depois dessas duas experiências, voltamos à rígida política de não admitir ninguém, a não ser os componentes regulares da equipe. Essa, portanto, é a regra, imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa.
TAG Valor
Nome do Capítulo Os assistentes
Parte Segunda