Capítulo 10
“Não é indigno de mensageiros celestes” — dizeis — “que suas instruções sejam transmitidas por meio tão vulgar qual o das mesas falantes? Não é ultrajá-los supor que se divertem com frivolidades, deixando a mansão de luz em que residem para se porem à disposição do primeiro curioso que aparece?” Jesus não deixou a morada do Pai para nascer num estábulo? E quem vos disse que o Espiritismo já atribuiu práticas triviais aos Espíritos superiores? Não; o Espiritismo afirma justamente o contrário, isto é, que as coisas vulgares são próprias de Espíritos vulgares. Não obstante, dessas vulgaridades resulta um benefício, qual o de abalar muitas imaginações, provando a existência do mundo espiritual e demonstrando que esse mundo era muito diferente do que se julgava. Era apenas o princípio, e esse princípio era tão simples como tudo que começa, mas nem por germinar de minúscula ­semente a árvore deixa um dia de estender ao longe a sua ramagem. Quem acreditaria que da misérrima manjedoura de Belém pudesse sair a palavra que havia de transformar o mundo? Sim! O Cristo é bem o Messias divino. A sua palavra é bem a palavra da verdade, e a religião fundada nessa verdade se torna inabalável, desde que siga e pratique os sublimes ensinamentos que ela contém e não faça do Deus justo e bom, que nela reconhecemos, um Deus parcial, vingativo e cruel.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo Intervenção dos demônios nas modernas manifestações
Item 19