Capítulo 1
Na morte violenta as condições não são exatamente as mesmas. Como não houve nenhuma desagregação parcial capaz de levar a uma separação antecipada entre o corpo e o perispírito, a vida orgânica é subitamente aniquilada no auge da sua exuberância. Nestas condições, o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido; sente, pensa e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda a sua posição. Este estado intermediário entre a vida corpórea e a espiritual é um dos mais interessantes para ser estudado, porque apresenta o espetáculo singular de um Espírito, que julga material o seu corpo fluídico, experimentando ao mesmo tempo todas as sensações da vida orgânica. Esse caso também oferece uma série infinita de modalidades que variam segundo os conhecimentos e progressos morais do Espírito. Para aqueles cuja alma está depurada, a situação dura pouco, porque neles já havia um desprendimento antecipado, cujo termo a morte mais súbita não fez mais que apressar. Em outros, a situação se prolonga por anos inteiros. Tal situação é muito frequente, mesmo nos casos de morte comum que, nada tendo de penosa para Espíritos adiantados, se torna horrível para os atrasados. É principalmente nos casos de suicídio que essa situação é mais aflitiva. Preso ao corpo por todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele, com atrozes sofrimentos.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo A passagem
Item 12