Capítulo 5
Os servos do ódio e do desequilíbrio, da intemperança e das paixões, contudo, que se preparem para as exigências da vida. Aos primeiros, a reencarnação será verdadeira bênção em aprendizado feliz; todavia, aos segundos constituirá necessária e legítima imposição do destino criado por eles mesmos, com o menosprezo a que votaram as dádivas de Nosso Pai, no espaço e no tempo. Escutando-lhe as observações, sob inexcedível impressão de alegria e encantamento, não pude sopitar a conclusão que me saiu otimista e espontânea da boca: — Gotuzo, mas é você, experiente desse modo quanto aos problemas do resgate espiritual, quem guarda mágoa do lar que se foi? Como pode encarcerar-se no desalento, a deter tamanha possibilidade de libertação? O companheiro fixou em mim os olhos inteligentes e lúcidos, como a dizer em silêncio que sabia de tudo isso, esforçou-se por parecer jovial e respondeu: — Não se preocupe. Em vista das extremas dificuldades para dominar-me, estudo, atualmente, a probabilidade de reincorporação no ambiente doméstico, enfrentando a situação difícil com a devida bênção do esquecimento provisório na carne, a fim de reconstruir o amor em bases mais sólidas, junto àqueles que não tenho compreendido tanto quanto deveria. Nesse instante, certa enfermeira assomou à porta de entrada, pedindo licença para interromper-nos e notificou que a turma de sentinelas, em tratamento mental, esperava no salão contíguo. Esclareceu Gotuzo que seguiria imediatamente. Novamente a sós, explicou-me, sorrindo: — Na Esfera carnal, na qualidade de médicos, nossas obrigações resumiam-se ao exame detido das enfermidades, com indicação clínica ou intervenção cirúrgica, e ao fornecimento de diagnósticos técnicos que outros colegas confirmavam, quase sempre por espírito de solidariedade, dentro da classe; mas, aqui, a paisagem modifica-se. Cabe-me usar a língua como estilete criador de vida nova. A casa está repleta de cooperadores que trabalham, servindo-lhe ao programa de socorro, e se submetem aos nossos cuidados de orientação médica, simultaneamente. Não basta, porém, que eu lhes diga o que sofrem, como fazia antigamente. Devo funcionar, acima de tudo, como professor de higiene mental, auxiliando-os na germinação e desenvolvimento de ideias reformadoras e construtivas, que lhes elevem o padrão de vida íntima. Distribuímos recursos magnéticos de restauração, com todos os necessitados, reanimando-lhes a organização geral, com os elementos de cura ao nosso alcance; entretanto, não sem ensinar, a cada enfermo, algo de novo que lhe reajuste a alma. Noutro tempo, tínhamos o campo de ação na célula física. Presentemente, todavia, essa zona de atuação é a célula mental. Observando a disposição ativa do companheiro, meditei no tempo que despendera, antes de participar dos serviços médicos da região superior a que fora conduzido, e perguntava a mim mesmo a razão pela qual fora Gotuzo tão depressa utilizado, ali, na esfera de socorro aos aflitos. Reparei, todavia, que o novo amigo não me recebia os pensamentos, nem mesmo de maneira parcial, demonstrando-se menos exercitado nas faculdades de penetração e, acompanhando-o ao recinto, onde o aguardava extensa clientela, notei que a assistência ali era ministrada a doentes em massa, dentro de vibrações mais grosseiras e lentas, exigindo a colaboração especializada de médicos desencarnados que, como acontecia a Gotuzo, ainda conservavam regular sintonia com os interesses imediatos da Crosta Terrestre.
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Nome do Capítulo Irmão Gotuzo