XXI
Como do aprendizado inestimável de toda essa tarefa de tantos anos surgiram alguns livros como este, que vêm sendo acolhidos generosamente, entendemos de nosso dever retribuir as alegrias que nos foram proporcionadas. Concretizamos essa aspiração com a doação dos direitos autorais correspondentes, a instituições através das quais o trabalho mediúnico tenha seu desdobramento natural, no apoio material a gente como a gente que veio renascer em contexto social marcado pela carência. É bom lembrar que, ainda há pouco, a criança necessitada de hoje vivia, na condição de espírito desencarnado, suas dificuldades e esperanças. Muitos deles foram encaminhados à nossa mesa mediúnica, para que debatêssemos juntos os problemas que os afligiam e os encorajássemos a aceitarem, mais uma vez, as bênçãos da reencarnação sabidamente difícil para tantos deles, mas com as características da porta estreita de que falou o Cristo, e que se abre para a libertação. Divaldo Pereira Franco tem experiências semelhantes no círculo mediúnico no qual atua. Suponho que outros grupos também as tenham. Não importa, contudo, saber se estamos cuidando daqueles que compareceram ou não ao nosso trabalho mediúnico; o que importa é ajudar, com a materialização do amor fraterno, os que aceitaram mais uma vez o desafio e o privilégio de nova existência na carne. Essa tarefa, surgida como que inesperadamente, proporcionou-nos a oportunidade de perceber insuspeitadas dimensões, profundidades e amplitudes numa simples e desambiciosa tarefa mediúnica e, conseqüentemente, as graves responsabilidades contidas no exercício da mediunidade. Desejo, pois, encerrar este livro com um reiterado testemunho de gratidão a todos os companheiros, encarnados e desencarnados, com os quais tive a felicidade de aprender, em cerca de três décadas, algo sobre o intercâmbio com os habitantes da dimensão espiritual. A todos, indistintamente, devo aspectos importantes do aprendizado em que me empenhei. Ensinamentos valiosos colhidos com esses amigos acham-se incorporados ao texto desta e de outras obras. Estou certo de que servirão a outros trabalhadores da seara, como serviram a mim, no melhor entendimento das questões suscitadas. Pude sentir as dificuldades que cada um de nós teve de vencer, no esforço de dar o melhor de si. Alegramo-nos com pequenas conquistas e realizações, compartilhamos as alegrias do dever cumprido, sempre que o trabalho tenha sido feito a contento, dentro de nossas limitações, mas em toda extensão de nossas modestas possibilidades. Percebi que os médiuns foram, em repetidas oportunidades, os mais severos críticos de seu próprio trabalho, na busca obstinada da melhor maneira de realizá-lo. Hermínio C. Miranda
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Nome do Capítulo Os carismas e a caridade