Capítulo 24
Já dissemos que os Espíritos, como os homens, devem ser julgados pela linguagem de que se servem. Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que lhe são desconhecidas. Pelo estilo, pelas ideias, por uma porção de indícios, enfim, julgará se aquelas pessoas são instruídas ou ignorantes, gentis ou mal-educadas, superficiais, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais etc. Dá-se a mesma coisa com os Espíritos. Devemos considerá-los como correspondentes que nunca vimos e procurar conhecer o que pensaríamos do saber e do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse tais coisas. Pode-se estabelecer como regra invariável e sem exceção, que a linguagem dos Espíritos guarda sempre relação com o grau de elevação a que já tenham chegado. Os Espíritos realmente superiores não apenas só dizem coisas boas, como também as dizem em termos que excluem, de modo absoluto, qualquer trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se forem manchadas por uma única expressão que denote baixeza, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade, principalmente se o conjunto da comunicação chocar as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua origem, seja pelos pensamentos que traduz, seja pela forma, de modo que se um Espírito quiser iludir-nos sobre a sua pretensa superioridade, bastará conversarmos algum tempo com ele para a apreciarmos.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Identidade dos Espíritos
Tema Distinção entre os Espíritos bons e os maus
Item 263