Hoje, as criaturas mal têm tempo para os semelhantes, e vive-se com muitas queixas e reclamações. Será que não existe mais tolerância?
— Fala-se muito em tolerância.
Apregoa-se a necessidade desse preceito cristão.
Escreve-se sobre o valor de tão nobre auxiliar do amor.
Pouco, porém, se vive a mensagem da tolerância.
Sem ela, todos sabem, a própria beleza ressuma tristeza, e o cálice de licor do êxito se converte em taça de amargura, onde o tédio se demora.
Alguém se atrasa, e logo a maledicência açoita sem recordara possibilidade de transtorno no tráfego.
O trajo não é digno, e imediatamente a censura fere, ignorando as circunstâncias que o modelaram.
O vizinho fala alto, e é classificado de mal-educado, entretanto pode ser um obsidiado.
O patrão é severo, e é tomado por algoz, esquecido de que ele também é servidor.
Toda reação nasce na conivência da razão, que se ajusta às justificativas da mente em desalinho.
Os que reagem perderam a força de agir.
Tolerância não é apenas um formoso roteiro teorizado: é uma diretriz atuante. (Messe de Amor - 48 edição - p. 125/126)