Seja qual for a duração do castigo e onde quer que ocorra, na vida espiritual ou na Terra, terá sempre um termo, próximo ou remoto. Na realidade não há para o Espírito mais que duas alternativas, a saber: punição temporária e proporcional à culpa, e recompensa graduada segundo o mérito. O Espiritismo repele a terceira alternativa, a da condenação eterna. O inferno reduz-se a figura simbólica dos maiores sofrimentos, cujo termo é desconhecido. O purgatório, sim, é a realidade.
A palavra purgatório sugere a ideia de um lugar circunscrito, aplicando-se, por isso mesmo e mais naturalmente à Terra, considerada como local de expiação, do que ao Espaço infinito onde erram os Espíritos sofredores, sobretudo porque a natureza da expiação terrena tem todas as características da verdadeira expiação.
Quando os homens se melhorarem, não fornecerão ao mundo invisível senão Espíritos bons, de modo que estes, ao encarnarem, só fornecerão à humanidade corpórea elementos aperfeiçoados. Então a Terra deixará de ser um mundo de expiação e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições. É por esta transformação, que neste momento se opera, que a Terra se elevará na hierarquia dos mundos. (Veja-se O evangelho segundo o espiritismo, cap. III.)