Fora realmente apanhado desprevenido, pois não sabia que o grupo era aquele e, se o soubesse, não teria vindo. É estranho que ignorasse isto...) Conhece o nosso mentor e, ao vê-lo, tentou recuar e voltar sobre seus passos, mas já era tarde. Identifica, num membro encarnado do grupo, uma pessoa que teria conhecido na França, no século passado. É portanto, contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita, até mais do que nós, segundo informa, sem falsa modéstia. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo.
Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns companheiros encarnados, atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder.
Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores, que prevê, para ele, uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. Encaixo, a essa altura, um comentário, dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos, com o que ele parece concordar com o seu silêncio. Afinal, admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva, e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. Depois de uma longa conversa, meramente informativa, em que ele vai revelando sua história, parece tomar uma decisão mais
drástica e começa a falar em altos brados, a dar com as mãos na mesa, mas sinto nele falta de convicção. Deixo-o falar, para vazar a sua cólera, a sua frustração e o seu temor, até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. Está em crise.
Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas, mas também das inúmeras vezes em que, a seu ver, traiu o Mestre. Gostaria de voltar a ser um humilde galileu.
Por fim, agarra as nossas mãos, chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa, e parte, em pranto, orando ao Cristo.
Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. Ë difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa...