As mesmas considerações que, entre os antigos, haviam feito localizar o reino da felicidade, fizeram circunscrever igualmente o lugar dos suplícios. Tendo os homens colocado o primeiro nas regiões superiores, era natural reservar ao segundo os lugares inferiores, isto é, o centro da Terra, acreditando-se que certas cavidades sombrias, de aspecto terrível, lhes serviam de entrada. Os cristãos também colocaram ali, por muito tempo, a morada dos condenados. Mas esta não é a única analogia existente entre o inferno pagão e o inferno cristão. Senão, vejamos:
O inferno dos pagãos continha de um lado os Campos Elíseos e do outro o Tártaro; o Olimpo, morada dos deuses e dos homens divinizados, ficava nas regiões superiores. Segundo a letra do Evangelho, Jesus desceu aos infernos, isto é, aos lugares baixos para deles tirar as almas dos justos que aguardavam sua vinda. Os infernos não eram, pois, um lugar unicamente de suplício; estavam, tal como para os pagãos, nos lugares baixos. A morada dos anjos e dos santos, assim como o Olimpo, ficava nos lugares elevados. Colocaram-na para além do céu estelar, que se julgava limitado.