Capítulo 8
Agradecemos essas respostas e pedimos a Deus que vos perdoe o passado, em atenção ao mérito da vossa última existência. – R. Voltarei mais tarde. Aliás, o Espírito Erasto completará esta minha comunicação. Instruções do guia do médium – O que deveis concluir dessa comunicação é que todas as vossas existências são solidárias entre si; as tribulações, as vicissitudes e as grandes dores que se abatem sobre os homens são sempre as consequências de uma vida anterior criminosa ou mal-empregada. Entretanto, cumpre-me dizer-vos que desfechos semelhantes como este de Antonio B... são raros, e se esse homem, cuja última existência foi isenta de censura, acabou morrendo dessa maneira, foi por tê-lo solicitado ele próprio, a fim de abreviar a sua erraticidade e alcançar mais rapidamente as esferas superiores. Com efeito, depois de um período de perturbação e sofrimento moral, com vistas à expiação do seu crime hediondo, ser-lhe-á perdoado este, e ele se alçará a um mundo melhor, onde o espera a vítima, que há muito tempo lhe perdoou. Aproveitai este exemplo cruel, queridos espíritas, a fim de suportardes com paciência os sofrimentos físicos e morais, bem como todas as pequenas misérias da Terra. P. Que proveito a humanidade pode auferir de semelhantes punições? – R. Os castigos não são aplicados para desenvolver a humanidade, mas para a punição dos culpados. De fato, a humanidade não tem interesse algum no sofrimento de um de seus membros. Aqui, a punição foi apropriada à falta. Por que há loucos, idiotas, paralíticos? Por que alguns morrem queimados? Por que outros padecem as torturas de longa agonia entre a vida e a morte? Ah! crede-me; respeitai a vontade soberana e não procureis sondar a razão dos decretos da Providência. Deus é justo e só faz o bem. Erasto Este fato não encerra um ensinamento terrível? Assim, a Justiça de Deus alcança sempre o culpado e, pelo fato de tardar algumas vezes, nem por isso deixa de atingi-lo. Não é altamente moralizador saber que, se grandes culpados acabam pacificamente a existência na abundância dos bens terrestres, cedo ou tarde a hora da expiação chegará para eles? Penas de tal natureza são compreensíveis, não só por estarem mais ou menos ao alcance das nossas vistas, mas por serem lógicas. Cremos, porque a razão admite. Uma existência honrosa não exclui, portanto, as provações da vida, pois que são escolhidas e aceitas como complemento de expiação; é o restante do pagamento de uma dívida saldada antes de receber o preço do progresso realizado. Considerando-se como eram frequentes nos séculos que passaram, mesmo nas classes mais elevadas e esclarecidas, os atos de barbaria que hoje nos revoltam, quantos assassínios eram cometidos nesses tempos de menosprezo pela vida do semelhante, e como os fracos eram esmagados pelos poderosos sem escrúpulo, então compreenderemos que muitos dos nossos contemporâneos terão de apagar máculas passadas e tampouco nos admiraremos do número considerável de pessoas que sucumbem vitimadas por acidentes isolados ou por catástrofes coletivas. O despotismo, o fanatismo, a ignorância e os preconceitos da Idade Média e dos séculos que se seguiram, legaram às gerações futuras uma dívida imensa, que ainda não foi liquidada. Muitas desgraças só nos parecem imerecidas porque apenas vemos a hora presente.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Expiações terrestres
Tema Antonio B...
Item 9