Capítulo 11
— Falou-nos o Assistente, sorrindo, — o Senhor, que tem meios de instalar condignamente qualquer dirigente de trabalho humano, ainda mesmo nas mais ínfimas experiências da vida social no Planeta, não relegaria à intempérie os missionários da luz no Plano Espiritual. Assim dizendo, Silas instintivamente compelia-nos a caminhar na direção da porta de acesso ao pátio exterior do templo. Alcançando a saída, notamos que a claridade ambiente apagava-se quase que de chofre, a poucos metros do pórtico, dando-nos a ideia de sofrer tremendo impacto das sombras circundantes. No enorme átrio, adensava-se turba imensa… Grupos diversos conversavam em alta voz… Havia quem chorasse, quem deprecasse, quem gemesse… Nossa visão, ainda não adaptada, mal registava os contornos da grande multidão que ali se aglomerava; entretanto, podíamos ouvir com precisão entendimentos e gritos, rogativas ardentes e desconsoladores apelos… Assinalando-nos a estranheza, o Assistente observou, comovido: — Aqui temos o parlatório da Mansão, ao qual comparecem grandes fileiras de almas sinceras e sofredoras, mais habitualmente em profundo desespero, a inibir-lhes as vantagens da oração pacífica… E, fixando expressivo gesto, ajuntou: — Neste grande recinto, dedicado à palavra livre, encontramos realmente a nossa divisa vibratória… Além dele, é a dor inconformada e terrível, gerando monstruosidade e desequilíbrio a exprimirem o inferno da interpretação religiosa comum; no entanto, muros a dentro de nossa casa, é a dor paciente e compreensiva, criando renovação e reajuste para o caminho dos Céus… Diante dos quadros deprimentes sob nossa vista, não dispúnhamos de expressão para qualificar o estupor de que nos sentíamos dominados. Foi por isso que nos calamos, de maneira instintiva, perante a quietação do Assistente que, a nosso ver, recorria, silencioso, ao favor da oração.
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Nome do Capítulo O templo e o parlatório