Além disso, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao pensamento, onde se tornam de alguma sorte estranhas aos sobreviventes. A própria Igreja põe entre umas e outras uma barreira insuperável, declarando rotas todas as relações e impossível qualquer comunicação. Se as almas estão no inferno, toda a esperança de as rever é perdida para sempre, a menos que para lá também se vá; se estão entre os eleitos, vivem completamente absortas em beatitude contemplativa. Tudo isso interpõe entre mortos e vivos uma distância tal que se considera a separação como eterna, razão por que muitos preferem ter junto de si, embora sofram, os entes queridos, a vê-los partir, ainda mesmo que para o céu. Ora, a alma que estiver no céu será realmente feliz vendo, por exemplo, arder eternamente seu filho, seu pai, sua mãe ou seus amigos?