Visitante: — Essa diversidade na crença disso que o senhor chama de uma ciência é, parece-me, a sua condenação. Se essa ciência estivesse estabelecida sobre fatos positivos não deveria ser a mesma na América e na Europa?
A.K.: — Inicialmente responderei que essa divergência é mais na forma que na essência; na realidade, ela consiste na maneira de encarar alguns pontos da Doutrina, mas não constitui um antagonismo radical nos princípios, como se apressam em afirmar os nossos adversários, sem haverem estudado a questão.
Diga-me, porém, qual é a ciência que, no seu início, não provocou dissidências até que seus princípios fossem claramente estabelecidos? Essas dissidências não existem, ainda hoje, nas ciências melhores constituídas?
Todos os sábios estão de acordo sobre o mesmo ponto? Eles não têm as suas teorias particulares? As sessões do Instituto(18) apresentam sempre o quadro de um perfeito entendimento cordial?
Em Medicina não há a Escola de Paris e a Escola de Montpellier?
Cada descoberta, em uma ciência, não significa a oportunidade de ocorrer um cisma, ou seja, uma dissidência de opiniões, entre aqueles que querem ir adiante e aqueles que querem ficar parados?
No que se refere ao Espiritismo, não é natural que, ao aparecerem os primeiros fenômenos, enquanto se ignoravam as leis que os regem, cada um haja dado a sua teoria e os tenha encarado à sua maneira? O que aconteceu a todas essas teorias primitivas isoladas? Caíram diante de uma observação mais completa dos fatos. Alguns anos foram suficientes para estabelecer a unidade grandiosa que prevalece hoje em dia na Doutrina e que reúne a imensa maioria dos adeptos, excetuando-se algumas individualidades que, aqui como em todas as coisas, se agarram às idéias primitivas e morrem com elas.
Qual é a ciência, qual é a doutrina filosófica ou religiosa que oferece um exemplo semelhante? O Espiritismo jamais apresentou a centésima parte das divisões que dilaceraram a Igreja durante muitos séculos e que a dividem ainda hoje.
Realmente, é curioso ver as puerilidades a que se apegam os adversários do Espiritismo. Isso não é a indicação da ausência de razões sérias? Se eles as tivessem, não deixariam de fazê-las valer.
O que opõem ao Espiritismo? Zombarias, negações, calúnias, mas nenhum argumento decisivo. A prova de que ainda não lhe encontraram nenhum ponto vulnerável é que nada deteve a sua marcha ascendente e que, após dez anos, ele conta mais adeptos do que jamais contou qualquer seita após um século. Esse é um fato comprovado e reconhecido por seus próprios adversários.
Para destruí-lo, não basta dizer: isso não acontece, isso é absurdo; é preciso provar categoricamente que os fenômenos não existem, que não podem existir. É o que, até agora, nenhuma pessoa fez.