Se o médium não foi contemplado com a mediunidade exclusivamente mecânica, serão infrutíferas todas as tentativas para chegar a esse resultado. No entanto, ele cometeria grande erro se com isso se julgasse deserdado. Se é dotado apenas de mediunidade intuitiva, deve contentar-se com a que tem, pois ela não deixará de lhe prestar grandes serviços, caso saiba aproveitá-la e não a repelir.
Se, depois de inúteis experimentações, realizadas seguidamente durante algum tempo, não se produzir nenhum indício de movimento involuntário, ou se os movimentos que se produzem são fracos demais para dar resultados, o médium não deve hesitar em escrever o primeiro pensamento que lhe for sugerido, sem se preocupar em saber se esse pensamento procede do seu Espírito ou de uma fonte estranha a ele: a experiência lhe ensinará a distinguir. Aliás, é frequente acontecer que o movimento mecânico se desenvolva algum tempo depois.
Dissemos acima haver casos em que é indiferente saber se o pensamento provém do médium ou de outro Espírito. Isso acontece, sobretudo, quando o médium puramente intuitivo ou inspirado executa, por si mesmo, um trabalho de imaginação. Pouco importa que atribua a si próprio um pensamento que lhe foi sugerido. Se lhe ocorrem boas ideias, deve agradecer ao seu bom gênio, que não deixará de lhe sugerir outras. Tal é a inspiração dos poetas, dos filósofos e dos sábios.