Capítulo 14
Um de nossos amigos utilizava como sonâmbulo um rapaz de 14 a 15 anos, de inteligência muito vulgar e instrução extremamente precária. Entretanto, no estado de sonambulismo, deu provas de lucidez extraordinária e de grande perspicácia. Distinguia-se principalmente no tratamento das enfermidades tendo feito grande número de curas consideradas impossíveis. Certo dia, dando consulta a um doente, descreveu a moléstia com exatidão. — Não basta — disseram-lhe —, agora é preciso que indiques o remédio. — Não posso — respondeu —, meu anjo doutor não está aqui. — Quem é esse anjo doutor de quem falas? — O que dita os remédios. — Então, não és tu que vês os remédios? — Oh! não; eu já não disse que é o meu anjo doutor quem os indica? Assim, nesse sonâmbulo, a ação de ver o mal era do seu próprio Espírito que, para isso, não precisava de assistência alguma, embora a indicação dos remédios lhe fosse dada por outro Espírito. Não estando presente esse outro, ele nada podia fazer. Quando só, era apenas um sonâmbulo; assistido por aquele a quem chamava seu anjo doutor, era sonâmbulo-médium.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Médiuns
Tema Médiuns sonambúlicos
Item 173