Tais fatos assumem, muitas vezes, o caráter de verdadeiras epidemias. Conhecemos seis irmãs que moravam juntas e que, todas as manhãs, durante vários anos, encontravam suas roupas espalhadas pela casa, inclusive no teto, rasgadas e cortadas em pedaços, por mais que tomassem a precaução de guardá-las à chave. Muitas pessoas já deitadas e preparando-se para dormir, embora completamente acordadas, têm visto os cortinados da cama se agitarem, as cobertas e os travesseiros serem arrancados com violência e até mesmo atirados fora do leito. Esses fatos são mais frequentes do que se pensa, pois suas vítimas raramente se atrevem a falar do assunto, pelo temor do ridículo. Tomamos conhecimento de que, por causa desses fenômenos, alguns indivíduos foram submetidos ao tratamento a que estão sujeitos os alienados, o que os deixou realmente loucos, visto não se tratar de alucinação, como pensavam. A Medicina é incapaz de compreender estas coisas, porque só admite, entre as causas que as determinam, o elemento material, o que explica a razão dos erros tão frequentes e funestos que comete. Um dia a História descreverá alguns tratamentos que eram ministrados no século XIX, como se narram hoje certos processos de cura em voga na Idade Média.
Admitimos perfeitamente que alguns casos são obra da malícia ou da malvadez. Porém, depois de tudo averiguado, se ficar provado que não resultam da ação do homem, forçoso é admitir que são obra do diabo, como dirão alguns, ou dos Espíritos, como dizemos nós. Mas de que Espíritos?